Jô relembra prisões, festas com Ronaldinho e luta contra o álcool: “Não tinha controle”
Ex-atacante da seleção brasileira e Manchester City admite ter sido preso cinco vezes e explica queda de renda de R$ 300 mil mensais
João Alves de Assis Silva, o Jô, ex-atacante de 39 anos com passagens por Corinthians e Manchester City, sofreu prisão por pensão alimentícia cinco vezes ao não pagar a oito filhos. Em entrevista exclusiva ao GE, o jogador revela dificuldades financeiras após aposentadoria, quando sua renda foi drasticamente reduzida. Jô parou há aproximadamente um ano e meio.
Jô admite que apenas 1% dos jogadores de futebol no mundo conseguem manter o padrão financeiro alto após a carreira. A queda de renda é a explicação que oferece para as prisões relacionadas à pensão alimentícia, sendo a última em junho deste ano. As mães dos oito filhos, frutos de cinco relacionamentos diferentes, não entendem a redução que sofreu após deixar os gramados.
“Não é quebrar, mas você diminui seu padrão de vida, não tem como. Um exemplo, eu ganhava R$ 300 mil, hoje sou um jogador aposentado, não ganho mais R$ 300 mil”
A queda financeira e as prisões por pensão
Jô afirma que a mudança no padrão de vida é a justificativa para ter sido preso por não pagar pensão alimentícia. Ele reconhece as dificuldades em administrar o patrimônio reduzido, mas nega estar em situação de miséria. O ex-atacante cita que a transição entre ganhar R$ 300 mil mensais e a aposentadoria é uma realidade que poucos atletas conseguem lidar de forma imediata.
O atacante parou porque não conseguia mais entregar o que se pede dos atacantes modernos em termos de mobilidade e velocidade. Jô sente saudade de tudo da rotina de atleta, inclusive das viagens. Ainda assim, não vê futuro apenas na aposentadoria: pretende continuar dentro do futebol em novo papel profissional.
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Jô foi campeão brasileiro com o Corinthians (Foto: reprodução/Instagram/@jooficial7)
Os problemas com álcool e o período crítico no Internacional
Jô admite ter tido problemas com álcool ao longo da carreira, especialmente durante a passagem pelo Internacional entre 2011 e 2012. No clube, disputou 36 partidas e marcou apenas seis gols, um período que descreve como crítico. Ele chegou a perder uma viagem por ficar bebendo até três horas antes da apresentação do elenco.
“Acho a palavra ‘alcoólatra’ muito forte, o caso era mais de que não tinha controle. Não era todos os dias (que bebia), mas, quando acontecia, eu não tinha freio”
O ex-atacante explica que descontava fora de campo a frustração de não jogar bem. Segundo Jô, a falta de desempenho em campo e os problemas pessoais se retroalimentavam.
“Simplesmente por não jogar, eu descontava fora de campo, e isso me atrapalhava lá dentro”
Uma carreira vitoriosa em números
- Jogou por Corinthians, Atlético-MG, Internacional, Manchester City e Seleção Brasileira em carreira de pouco mais de 20 anos
- Conquistou bicampeonato brasileiro pelo Corinthians, títulos da Copa do Brasil e Libertadores pelo Atlético-MG, e Copa das Confederações com a Seleção
- Disputou 800 jogos, marcou 245 gols e conquistou 19 títulos
- Atuou em 14 clubes diferentes ao longo da carreira
Jô estreou no profissional do Corinthians aos 16 anos e tomou decisões que o marcaram naquela época. Comprou um Audi importado antes de adquirir casa própria, sem nem mesmo ter habilitação. Usou dinheiro da renovação de contrato no segundo ano de profissional para realizar esse sonho de adolescente. O presidente Andrés Sanchez mandou Jô devolver o carro, mas o episódio ficou marcado como realização de um jovem atleta.
O vestiário do Corinthians em 2005 era conturbado, com brigas frequentes entre jogadores como Carlos Alberto, Tevez, Roger Flores e Fábio Costa. Jô presenciou briga entre Carlos Alberto e Fábio Costa com cabo de vassoura e rodo. Naquele período, foi principal parceiro de Ronaldinho Gaúcho dentro e fora das quatro linhas.
“As pessoas fantasiam muito. O Ronaldinho é um cara super tranquilo. O negócio dele é ficar sentado, tocando o pagode dele com os amigos”, disse Jô
O ex-atacante defende o colega contra a fama de festeiro, afirmando que Ronaldinho apenas aproveitava para fazer pagodes com amigos.
