Inter e Milan são investigados por associação a esquema ilegal
Segundo a promotoria, jogadores de ambos os dois times são investigados por associação a esquema de prostituição; exploração sexual é crime na Itália
A Promotoria de Milão, na Itália, abriu uma investigação sobre uma empresa suspeita de comercializar pacotes de festas que incluíam serviços sexuais e o uso de óxido nitroso, conhecido como “gás do riso”.
De acordo com o jornal italiano Gazzetta dello Sport, cerca de 50 jogadores da Serie A aparecem citados no inquérito, incluindo atletas ligados a dois dos principais clubes do país, a Inter de Milão e o AC Milan. Até o momento, os nomes não foram oficialmente divulgados, e não há confirmação de que todos os citados tenham cometido irregularidades.
Estrutura do esquema sob investigação
Segundo as apurações, os eventos eram realizados em hotéis e casas noturnas de alto padrão, na Itália e em destinos como Mykonos, na Grécia, frequentemente após partidas. A organização teria sede em Cinisello Balsamo, na região de Milão, e seria administrada por Emanuele Buttini e Deborah Ronchi.
O casal está em prisão domiciliar, assim como outros dois investigados, sob suspeita de exploração da prostituição e lavagem de dinheiro. Entre os indícios analisados pelas autoridades estão movimentações financeiras e interações em redes sociais, incluindo o fato de o perfil da agência ser seguido por atletas.
A investigação também menciona a possível participação de celebridades, empresários e até um piloto de Fórmula 1, todos mantidos sob sigilo. Em uma das escutas divulgadas pela imprensa, há referência à negociação envolvendo uma mulher brasileira.
“Vou mandar a brasileira para ele”, diz um dos áudios divulgados.
Na Itália, a prostituição em si não é crime quando exercida de forma voluntária. No entanto, a legislação — estabelecida pela Lei Merlin de 1958 — proíbe a exploração, intermediação ou favorecimento da atividade por terceiros. É justamente nesse ponto que se concentram as suspeitas da promotoria.
Elencos de Inter e Milan durante a semifinal da Coppa Italia (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Giuseppe Bellini)
Atividades durante a pandemia
Os investigadores acreditam que a empresa começou a operar em 2019 e manteve as atividades mesmo durante a pandemia de COVID-19, em 2020. Um depoimento aponta que a sede do grupo funcionava como uma espécie de boate clandestina durante o período de restrições sanitárias.
De acordo com a denúncia, mulheres seriam submetidas a condições de exploração, vivendo no local e arcando com custos de estadia. Parte dos valores pagos pelos clientes — cerca de 50% — ficaria com os organizadores. Estima-se que mais de 100 mulheres, de diferentes idades e nacionalidades, possam ter sido envolvidas.
Uso de substâncias
Os documentos da investigação também indicam o uso de óxido nitroso nas festas. A substância, que provoca efeitos eufóricos e de curta duração, não deixa vestígios prolongados no organismo, o que dificultaria sua detecção em exames antidoping.
As investigações seguem em andamento, e as autoridades italianas ainda trabalham para esclarecer o grau de envolvimento dos citados no caso.
