Flamengo fecha maior contratação de sua história e repatria Lucas Paquetá

Meia retorna ao clube após quase dez anos atuando no futebol europeu em uma negociação histórica; que estabelece um novo recorde financeiro

28 jan, 2026
West Ham mantem postura firme por Paquetá | Reprodução/Instagram/@lucaspaqueta
West Ham mantem postura firme por Paquetá | Reprodução/Instagram/@lucaspaqueta

O Flamengo acertou a contratação de Lucas Paquetá e concretizou a maior transação já realizada por um clube brasileiro. Para contar novamente com o meio-campista de 28 anos, revelado pelas categorias de base da Gávea, o rubro-negro vai desembolsar 41,2 milhões de euros ao West Ham, da Inglaterra, valor que gira em torno de R$ 260 milhões na cotação atual.

O retorno do jogador marca um movimento ambicioso da diretoria, que aposta no peso técnico e simbólico da contratação. Paquetá deixa o futebol europeu após quase uma década atuando em ligas de alto nível e volta ao clube que o projetou internacionalmente, reforçando o elenco em um momento de reestruturação esportiva e financeira.

Negociação complexa e modelo de pagamento definido

O acordo entre Flamengo e West Ham foi fechado após dias de tratativas intensas. O principal entrave esteve na forma de parcelamento da transferência, já que os ingleses buscavam garantias de recebimento sem comprometer seus próprios planejamentos financeiros. Ao final das conversas, o clube carioca conseguiu viabilizar um modelo considerado viável pelas duas partes.

Pelo formato acertado, o pagamento será feito em apenas uma parcela por ano, com valores proporcionais em 2026 e 2027 e uma quantia ligeiramente menor em 2028. A diretoria rubro-negra argumentou que a estrutura proposta assegura o cumprimento integral do acordo sem comprometer o orçamento anual do futebol.

A operação foi alinhada ao planejamento financeiro do clube, que projeta uma receita de cerca de R$ 1 bilhão para o futebol em 2026. Esse montante já considera o pagamento de parcelas de outras contratações recentes, como Samuel Lino, Emerson Royal e Plata. O presidente Luiz Eduardo Baptista determinou que os valores destinados a Paquetá fiquem dentro do teto previsto para reforços, sem a necessidade de vender atletas considerados estratégicos para equilibrar as contas.


 Presidente Luiz Eduardo Baptista do Flamengo (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Hector Vivas)


Trajetória internacional e superação de turbulências

Lucas Paquetá deixou o Flamengo em 2018, quando foi negociado com o Milan por 38 milhões de euros, em um contrato de cinco temporadas que também despertou o interesse do Paris Saint-Germain à época. Dois anos depois, transferiu-se para o Lyon por 20 milhões de euros, onde ganhou protagonismo e consolidou seu nome no futebol europeu.

Em 2022, o West Ham investiu pesado para levá-lo à Premier League, pagando 61,63 milhões de euros, incluindo bônus, em um vínculo igualmente válido por cinco anos. Durante sua passagem pela Inglaterra, o meia chegou a entrar nos planos do Manchester City, comandado por Pep Guardiola, mas as negociações não avançaram devido a denúncias envolvendo suposta manipulação de apostas esportivas.

O episódio gerou instabilidade na carreira do atleta, mas foi encerrado no ano passado, quando Paquetá acabou inocentado por uma comissão independente do futebol inglês. Com a situação resolvida, o retorno ao Brasil passou a ser tratado como prioridade pelo Flamengo, que aproveitou o cenário para avançar no negócio.


Paquetá postou um vídeo se despedindo do West Ham (Vídeo: reprodução/Instagram/@Lucaspaqueta_)


Impacto direto na montagem do elenco rubro-negro

A chegada de Paquetá influencia diretamente a estratégia do Flamengo no mercado. Internamente, sua versatilidade é vista como um diferencial importante, especialmente pela capacidade de atuar em diferentes funções do meio-campo. O jogador pode exercer o papel de segundo homem, o que reduz a necessidade de buscar outro volante na janela.

Atualmente, o clube trabalha com a ideia de ter quatro ou cinco opções principais para a posição, entre elas Pulgar, Everton Araújo, De La Cruz, Saúl e Jorginho. Allan aparece como um nome negociável, enquanto Paquetá surge como alternativa em diferentes cenários, ampliando as possibilidades táticas.

Além do setor central, o meia também pode ser utilizado nas pontas e até como falso nove, função que já desempenhou ao longo da carreira. Filipe Luís, que tem recorrido a atacantes em posições híbridas, ganha uma peça capaz de oferecer mobilidade e leitura de jogo. Por esse motivo, o Flamengo não trata como urgente a contratação de um centroavante mais físico, mesmo após a recusa do Cruzeiro em negociar Kaio Jorge por valores superiores a 30 milhões de euros. Ainda assim, o clube segue atento ao mercado em busca de um nome para disputar espaço com Pedro.

Matéria feita por Raquel Ciriaco (Inmagazine.ig)

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