Dorival Júnior alerta sobre presença alta de estrangeiros no Brasil

Hoje no Corinthians, Dorival citou Itália como exemplo e considera que presença estrangeira nos times brasileiros penaliza uma “geração inteira”

20 fev, 2026
Dorival Júnior | Reprodução/Instagram/@corinthians
Dorival Júnior | Reprodução/Instagram/@corinthians

O técnico do Corinthians, Dorival Júnior, defendeu uma limitação maior ao número de estrangeiros no futebol brasileiro e alertou para possíveis impactos na formação de atletas nacionais. Em entrevista após a vitória por 1 a 0 sobre o Athletico Paranaense, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro Série A, o treinador citou a Itália como exemplo de que uma abertura excessiva pode trazer consequências esportivas no longo prazo.

A declaração do ex-técnico da Seleção foi criticada por alguns jornalistas como foi infeliz e contraditória com seu próprio time, considerando que, atualmente, os dois principais jogadores do timão são estrangeiros.

Fala de Dorival e número de estrangeiros inscritos

O regulamento do Brasileirão permite que cada equipe relacione até nove estrangeiros por partida. Em 2026, são 131 jogadores de outras nacionalidades inscritos na competição. O Corinthians, por exemplo, conta atualmente com seis atletas estrangeiros — incluindo o marroquino Zakaria Labyad, ainda em processo de regularização.

Dorival argumentou que o país pode estar comprometendo o desenvolvimento de talentos locais.

Está na hora de intervirmos em relação ao número de estrangeiros em cada equipe brasileira. Estamos penalizando uma geração e, futuramente, pagaremos um preço muito alto. A Itália pagou um preço altíssimo, com dificuldades em Copas do Mundo recentes”, afirmou.

A Itália, usada como exemplo por Dorival, ficou fora das Copas de 2018 e 2022 e ainda luta para garantir presença na próxima edição. O debate envolve também o cenário europeu: na Serie A, entre 2019 e 2024, houve crescimento expressivo no número de estrangeiros, que passaram a representar cerca de dois terços dos jogadores inscritos na liga.


 Dorival Junior ao lado de Memphis Depay durante substituição (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Hedeson Alves)


Gramado sintético e modelo europeu

A declaração surgiu a partir de uma pergunta sobre o gramado sintético da Arena da Baixada, em Curitiba. Dorival criticou o modelo e afirmou que o Brasil, país de clima tropical, deveria ter condições de oferecer campos naturais de melhor qualidade.

Na Europa, mesmo com inverno rigoroso, os gramados são perfeitos. Nós precisamos estar conscientes do que estamos proporcionando aos nossos profissionais.

O treinador lembrou ainda que o Athletico utiliza o piso artificial há anos e reconheceu que há vantagem para quem está habituado ao campo. A crítica se soma a manifestações recentes de atletas como Neymar, que também já reclamaram do gramado sintético.

Reação da imprensa

A fala sobre estrangeiros gerou repercussão imediata. Os jornalistas Arnaldo Ribeiro e Mauro Cezar Pereira questionaram a coerência do discurso, lembrando que dois dos principais nomes do Corinthians são estrangeiros: Memphis Depay (Holanda) e Rodrigo Garro (Argentina).

Mauro Cezar também avaliou que o exemplo do campeonato italiano foi inadequado, citando a Premier League como contraponto. Segundo ele, a Inglaterra convive há décadas com forte presença internacional e, ainda assim, conseguiu elevar o nível de competitividade e a qualidade da seleção nacional. Os clubes da Premier League, por exemplo, podem contratar somente até 4 jogadores estrangeiros por temporada que não atendam aos critérios padrão de GBE (Governing Body Endorsement).


 O argentino Rodrigo Garro marcou o único gol da partida pelo Corinthians (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Riquelve Nata)


Debate estrutural

O tema reacende uma discussão antiga no futebol brasileiro: como equilibrar mercado globalizado, competitividade e formação de talentos locais. Entre 2019 e 2024, o número de estrangeiros na Série A cresceu cerca de 150%, reflexo da valorização do campeonato e da abertura regulatória.

Para Dorival, a questão precisa partir de quem comanda o futebol nacional. O treinador, que dirigiu a Seleção Brasileira entre 2024 e 2025, defende uma reflexão institucional sobre os rumos do esporte no país. Enquanto o debate segue fora de campo, o Corinthians volta suas atenções ao Portuguesa, adversário nas quartas de final do Campeonato Paulista, em jogo único no Canindé, no próximo domingo.

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