Veja a linha do tempo completa e os bastidores da relação intensa entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus

Após ficar no banco contra a Noruega e não participar de treinos, o capitão deixou o estádio minutos depois de Jesus afirmar que nenhum jogador mudaria suas decisões

30 set, 2026
Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo | Reprodução/Instagram/@jorgejesus/@cristiano
Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo | Reprodução/Instagram/@jorgejesus/@cristiano

Cristiano Ronaldo deixou a concentração da seleção portuguesa em Copenhague nesta quarta-feira (30/9), minutos após Jorge Jesus afirmar que manteria Gonçalo Ramos como titular contra a Dinamarca. O capitão saiu do estádio Parken em uma van da Federação Portuguesa de Futebol e, ainda dentro das instalações, publicou no Instagram que prometia revelar os motivos da saída em momento futuro, segundo a CNN.

No texto divulgado na rede social, Ronaldo explicou que tomou a decisão após a conferência de imprensa de Jesus e uma conversa com Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol. “A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram a minha saída da equipa nacional”, escreveu. O atacante desejou boa sorte a Portugal e aos companheiros de equipa.

A saída ocorreu poucos minutos depois de Jesus havia garantido na coletiva que Ronaldo participaria do treino naquela tarde. O técnico confirmou que Gonçalo Ramos seguiria como titular contra a Dinamarca e reafirmou que nenhum jogador conseguiria alterar suas decisões.

O banco contra a Noruega

A tensão entre Jesus e Ronaldo começou a ganhar forma no jogo anterior. No domingo (27/9), Portugal enfrentou a Noruega pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Cristiano ficou no banco durante todo o primeiro tempo e aqueceu na volta do intervalo, mas permaneceu fora do campo mesmo quando Portugal precisava reagir. O time venceu a Noruega por 2 a 1, resultado que não foi suficiente para acalmar o capitão.


 

Ver esse post no Instagram

 

Um post compartilhado por UOL Esporte (@uolesporte)

Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus (Foto: reprodução/Instagram/@uolesporte)


Após o apito final, Ronaldo não se posicionou junto aos companheiros para agradecer aos torcedores. O gesto passou despercebido por Jesus inicialmente. Quando informado sobre o ocorrido, o técnico afirmou que precisava conversar com Ronaldo.

No primeiro treino em Malmö, no dia seguinte, as imagens mostravam Ronaldo sorridente entre os jogadores reservas. Publicamente, o episódio de dois dias antes parecia não ter deixado marcas visíveis. Ninguém previu o que viria.

O afastamento nos treinos

No dia 29 de setembro, domingo anterior à partida contra a Dinamarca, o cenário mudou. Ronaldo chegou ao Eleda Stadion e pisou no gramado aproximadamente meia hora antes do início da atividade. Conversou brevemente com Jesus, mas não integrou o treino. Deixou o local enquanto seus companheiros trabalhavam nas instalações.

A Federação Portuguesa de Futebol justificou a ausência citando que a academia do estádio não possuía equipamento específico que Ronaldo necessitava para sua rotina. A entidade esclareceu que nenhuma lesão havia sido comunicada. João Félix também utilizou a academia naquele dia, mas permaneceu nas instalações da federação.

A justificativa oficial não eliminava as dúvidas. Observadores começaram a questionar se a ausência tinha raízes mais profundas. Pedro Proença, presidente da Federação, alterou sua agenda: em vez de viajar para os Açores como planejado, deslocou-se para Copenhague no dia 29 para acompanhar pessoalmente a situação.

A coletiva de Jesus

No dia 30 de setembro, poucas horas antes da saída de Ronaldo, Jesus compareceu aos jornalistas para falar sobre o jogo contra a Dinamarca. Começou a coletiva deixando claro que não desejava um encontro centrado na figura do capitão. “Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias. Nem ele nem ninguém no futebol. Nem nenhum presidente. Nunca, zero”, afirmou.

O técnico revelou durante a entrevista um detalhe que surpreendeu muitos acompanhadores da seleção: ele e Ronaldo haviam combinado previamente que o capitão não seria titular contra Noruega e Dinamarca. O plano inicial estava justificado pela sequência de partidas. Porém, Jesus alterou esse combinado durante o próprio jogo contra os noruegueses, informando a Ronaldo que poderia precisar dele por 20 ou 30 minutos.

Jesus reconheceu que cometeu um erro ao enviar Ronaldo para aquecer cedo demais naquele domingo. Apesar disso, reafirmou que a decisão final continuava sendo sua. O técnico admitiu que nenhum jogador fica contente ao aquecer e não entrar, particularmente alguém da magnitude de Cristiano.

Jesus rejeitou a ideia de uma ruptura com o capitão. “Falamos a mesma língua, é tudo fácil”, disse sobre seu relacionamento com Ronaldo. Afirmou que não havia caso nenhum entre ele e o jogador e reiterou que o estatuto não concede direitos diferenciados a ninguém.

Sobre a ausência do treino em 29 de setembro, Jesus foi taxativo: Ronaldo não se recusou a treinar. O técnico garantiu que o capitão participaria da atividade naquela tarde no Parken. Explicou que Ronaldo normalmente não integra os treinos nos dois primeiros dias após uma partida, uma prática comum na carreira do jogador segundo a CNN Brasil.

A parceria no Al-Nassr

Há pouco mais de um ano, a relação entre Jesus e Ronaldo era bem diferente. Em julho de 2025, Cristiano convidou o técnico para treinar o Al-Nassr, clube saudita onde era estrela. Jesus aceitou o desafio. “Sem o convite dele, de certeza que não estaria lá”, declarou Jesus ao chegar ao clube, reconhecendo a importância do convite de Ronaldo.

A dupla trabalhou com sucesso na Arábia Saudita. No dia 21 de maio de 2026, o Al-Nassr conquistou o Campeonato Saudita com uma vitória de 4 a 1 sobre o Damac na última rodada. Ronaldo marcou dois gols naquela partida. O time terminou com 86 pontos, dois a mais que o segundo colocado Al-Hilal, segundo informações divulgadas pela CNN Brasil.

Jesus deixou o clube assim que havia prometido, com a saída se tornando oficial em 28 de maio de 2026. Semanas depois, os dois se reencontraram na seleção portuguesa. O técnico foi apresentado como novo treinador nacional em 10 de julho de 2026, após Portugal ter sido eliminada pela Espanha nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2022. Roberto Martínez deixava o cargo.

O reencontro na Seleção

Quando chegou à seleção, Jesus fez declarações públicas tranquilizantes sobre Cristiano. Afirmou que nunca seria um problema para a Seleção e chamou Ronaldo de símbolo de Portugal. Disse que era fácil trabalhar com ele. As primeiras semanas sugeriam uma continuação tranquila daquela parceria vitoriosa no Al-Nassr.

Ronaldo foi convocado em 18 de setembro para as Eliminatórias. Trazia consigo um currículo impressionante: 233 partidas pela seleção portuguesa e 146 gols, sendo o jogador mais internacional da história de Portugal, conforme dados da CNN Brasil. Possui também cinco Bolas de Ouro, prêmio que reafirma seu lugar entre os maiores jogadores do futebol.

A ausência repentina do Parken nesta quarta-feira (30) marca uma virada abrupta nessa trajetória compartilhada. Enquanto os demais jogadores se preparavam para o treino no estádio, Ronaldo deixou as instalações. A Federação confirmou sua ausência sem oferecer explicação pública adicional naquele momento. O avião particular de Cristiano, que estava em Madri, se preparava para decolar rumo a Copenhague quase imediatamente após a saída do estádio, segundo informações coletadas pela CNN Brasil.

Ronaldo mantém silêncio sobre os detalhes que justificaram sua decisão. Sua promessa de revelar a verdade aos portugueses permanece pendente, deixando em aberto as circunstâncias precisas que levaram uma parceria que começou com sucesso no futebol saudita a se deteriorar tão rapidamente no contexto da seleção portuguesa.

Mais notícias