Brasileirão é a 6ª liga com mais trocas de técnicos no mundo
Segundo observatório do futebol, 17 dos 20 clubes brasileiros trocaram de técnico; metade dos países do top 10 é da América do Sul
Segundo o Observatório de Futebol do CIES (CIES Football Observatory), em levantamento divulgado nesta quarta-feira (6), o Brasileirão é a sexta liga no mundo que mais troca de treinadores nos últimos 12 meses. Um dado que confirma a grande dança das cadeiras que os times brasileiros vivem no espaço de um ano.
17 dos 20 clubes brasileiros trocam de treinador todo ano
A pesquisa feita pelo CIES analisou 55 ligas de futebol ao redor do planeta e concluiu que 65,2% dos clubes mudaram de treinador pelo menos uma vez no último ano. Nesse período, o Brasileirão foi apontado como a sexta liga nacional que mais realiza troca de treinadores no período.
Nesse sentido, de acordo com o levantamento, as trocas ocorridas equivalem a 85% da competição, ou seja, 17 clubes da Série A mudam a comissão técnica pelo menos uma vez nos últimos 12 meses. O líder do ranking é a primeira divisão do Chipre, onde todas as 14 equipes participantes trocaram de treinador, enquanto a liga mais estável é a da Noruega, com apenas três mudanças entre 16 times.
Além disso, o estudo concluiu informações sobre a idade média dos treinadores. No mundo, os técnicos têm 49,5 anos. Já no Brasil, a média é de 51 anos. A Bulgária tem os treinadores mais velhos da lista, com a média de 55,6 anos, enquanto a Suécia tem os mais jovens, com 43,5 anos.
Arbitragem consultando o VAR (Foto: reprodução/Ruano Carneiro/Getty Images Embed)
Instabilidade e pressão por resultados
Os números refletem uma “instabilidade crônica”, de acordo com a CIES. As ligas com mais pressão por resultado de forma imediata encontram mais necessidade de mudança de treinador quando os times estão em uma sequência ruim.
Entre os 10 campeonatos nacionais com mais trocas de técnico, 5 são da América do Sul. O Peru é o país que tem mais mudança de treinador no continente e o segundo da lista, com 94,4% (17 dos 18 clubes), seguidos da Venezuela em 5° com 85,7% (12 dos 14 clubes), Brasil em 6° com 85% (17 dos 20); Paraguai 7° com 83,3% (10 dos 12) e Chile em 9° com 81,3% (13 dos 16). Veja a lista completa:
- Chipre – 100% (14 trocas em 14 clubes)
- Peru – 94,4% (17 trocas em 18 clubes)
- Série B da Itália – 90% (18 trocas em 20 clubes)
- Bélgica – 87,5% (14 trocas em 16 clubes)
- Venezuela – 85,7% (12 trocas em 14 clubes)
- Brasil – 85% (17 trocas em 20 clubes)
- Paraguai – 83,3% (10 trocas em 12 clubes)
- Sérvia – 81,3% (13 trocas em 16 clubes)
- Chile – 81,3% (13 trocas em 16 clubes)
- Romênia – 81,3% (13 trocas em 16 clubes)
Experiência no banco, instabilidade no campo
Outro ponto observado pelo estudo é a idade média dos treinadores. No cenário global, os técnicos têm cerca de 49,5 anos. No Brasil, essa média sobe para 51 anos, indicando uma leve preferência por profissionais mais experientes.
Ainda assim, a bagagem não tem sido suficiente para garantir estabilidade. Mesmo treinadores com histórico consolidado acabam demitidos diante de sequências negativas, o que reforça o ambiente de incerteza.
Em comparação, a Bulgária lidera como o país com técnicos mais velhos, enquanto a Suécia aposta em profissionais mais jovens. Essas diferenças mostram que não existe um único modelo ideal — mas deixam claro que a gestão do futebol pode seguir caminhos mais sustentáveis.
No caso brasileiro, os dados ajudam a ilustrar um problema estrutural. A busca por resultados rápidos, somada a um calendário intenso e altamente competitivo, cria um terreno onde a continuidade raramente é prioridade.
