Nalbert aponta falhas na base e critica formação do vôlei masculino

Campeão olímpico critica falta de revelação de talentos e defende continuidade de Bernardinho; Sul-Americano em setembro define vaga para Los Angeles

21 jul, 2026
Nalbert | Reprodução/Instagram/@nalbert12
Nalbert | Reprodução/Instagram/@nalbert12

A seleção brasileira de vôlei masculino foi eliminada da fase classificatória da Liga das Nações em nono lugar, com sete vitórias e cinco derrotas. Brasil eliminado VNL vôlei marca a primeira vez que o país não se classifica para a fase final desde que o torneio começou, há 35 anos.

O Brasil acumula uma sequência de resultados negativos desde 2023. A seleção perdeu pela primeira vez uma final do Sul-Americano naquele ano, ficou em oitavo lugar nas Olimpíadas de Paris 2024 e apresentou a pior campanha em Mundiais em 2025, segundo dados compilados pelo GE. Nalbert vê nessa trajetória o reflexo de problemas estruturais que se arrastam há tempos.

Sequência de resultados ruins

Segundo Nalbert, a raiz do problema está na estrutura de formação de atletas. Para ele, há muito mais do que questões táticas envolvidas no declínio. “Há uma questão técnica, física e de quantidade de atletas. O segredo para o sucesso é ter uma base bem trabalhada, com investimentos. Nós nos descuidamos e estamos pagando uma conta alta”, afirmou o comentarista ao GE.

A falta de interesse de jovens pelo vôlei masculino contribui para o gargalo. “Não vejo mais tantos jovens se interessando pelo vôlei masculino e começando a jogar. CBV (Confederação Brasileira de Voleibol), federações e clubes precisam entender o que deve ser feito daqui para a frente”, disse Nalbert. A geração que Nalbert integrou tinha um cenário bem diferente. “Em Atenas, tínhamos 12 jogadores fantásticos. Outros atletas excelentes treinavam conosco, e ainda havia uma fila enorme de destaques que queriam uma vaguinha na seleção”, relatou Nalbert. Ao seu lado estavam Giba, Ricardinho e Serginho, todos com carreiras de sucesso internacional.

O ciclo de atração era auto-sustentável naquela época. “Havia uma cadeia que se retroalimentava no Brasil, algo que não existe mais hoje em dia”, disse Nalbert. Quando a seleção vencia, jovens sonhavam em chegar àquele patamar. Quando a seleção não avança, eles procuram outros esportes. Nalbert aponta que o problema começou há bastante tempo, mas só agora as consequências ficaram visíveis em torneios.


Brasil eliminado VNL vôlei (Foto: reprodução/X/@fabiomstella)


Sinais ignorados

O último título mundial da base foi em 2011, quando a seleção sub-21 conquistou ouro. O título na Liga das Nações de 2021 pode ter encoberto sinais de alerta que já piscavam naquele momento. Agora, com uma base fraca, o time tem poucos jogadores com experiência internacional consolidada. Muitos ainda estão em desenvolvimento. A falta de rodagem resulta em dificuldades em momentos decisivos. Adversários mais preparados conseguem administrar melhor o final dos sets. O time não estava pronto para a VNL, conforme mostrado pelo resultado.

A pressão natural de defender a camisa da seleção soma-se à pouca experiência de vários integrantes do elenco. A seleção fará amistosos contra Japão e França nos próximos dias. Também participará de um torneio na Itália com Itália, Cuba e Alemanha. Nos dois meses que antecedem o Sul-Americano, haverá tempo para trabalho.

O Sul-Americano ocorrerá de 15 a 20 de setembro no Maracanãzinho. O campeão ganha vaga garantida nas Olimpíadas de Los Angeles. Nalbert diz que o Brasil precisa chegar àquele torneio com disposição total. “Se eu fosse o Bernardinho, juntaria o grupo inteiro e perguntaria aos jogadores se estão dispostos a pagar o preço do sacrifício”, afirmou o comentarista. Quem titubear deve ficar de fora. Será preciso treinar muito para construir um time de verdade.

Para Nalbert, uma equipe vencedora nem sempre é feita com os melhores jogadores individualmente. Precisa ser o elenco certo, com gente que vai dar a vida pela camisa. Conquistar a vaga olímpica no Sul-Americano será essencial. Nalbert não vê troca no comando técnico como decisão correta agora. Bernardinho tem responsabilidade pelos resultados ruins, mas o técnico e seus auxiliares são profissionais de altíssimo nível. Eles precisam fazer o necessário para encorpar o elenco. A base precisa ser fortalecida e voltar a produzir jogadores. O processo será lento e não solucionará todos os problemas do dia para noite. Bernardinho e a comissão técnica estão reunidos em Saquarema até 16 de agosto para planejamento.

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