Pedro Bial revela consequências do cigarro para a saúde aos 68 anos e desabafa: “Sou um arrependimento ambulante”
Jornalista e apresentador revela sequela do hábito de fumar e reflete sobre saúde, carreira e novos projetos no cinema e documentários
Aos 68 anos, Pedro Bial revelou em entrevista à GQ que desenvolveu enfisema como sequela do hábito de fumar, abandonado aos 50 anos. O jornalista e apresentador se descreve como um “arrependimento ambulante” e reflete sobre saúde, longevidade e novos projetos profissionais enquanto navega desafios físicos de décadas de fumaça.
Uma carreira de quase meio século
Bial dedicou quase meio século ao ofício de transmitir ideias. Cobriu a reunificação da Alemanha como correspondente, apresentou o Fantástico e comandou o Big Brother Brasil durante dezesseis temporadas. Sua trajetória marca gerações de telespectadores e consolidou seu lugar como figura central da história da televisão brasileira.
Agora, longe de reduzir o ritmo, Bial segue produzindo em múltiplas frentes. O trabalho permanece seu metabolismo, e aos 68 anos continua explorando novas linguagens e desafios criativos. A reflexão sobre saúde não freia a produção; a redefine.
Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos (Vídeo: reprodução/YouTube/GQ Brasil)
Novos projetos no cinema
Bial está desenvolvendo um filme de ficção chamado Reflexos, com Valentina Bandeira e os irmãos Júlio e Ravel Andrade no elenco. O projeto pretende sair do papel em 2027 e já passa pelo quarto tratamento do roteiro. De acordo com o apresentador, o filme aborda o tema da incomunicabilidade, e ele quer desenvolvê-lo com humor, amor e música.
“A incomunicabilidade reina hoje”
“Estou no quarto tratamento do roteiro. Quero falar do assunto com humor, com amor, com música”, disse Pedro Bial.
A inspiração veio do livro Os Imortais, de Paulliny Tort, que Bial considera o melhor publicado nos últimos anos. A leitura alimentou a reflexão sobre como as pessoas se comunicam e falham em se comunicar, tornando-se substância para seu próximo grande projeto cinematográfico.
Bial também passou a pensar em inteligência artificial como analogia para evolução humana. Assim como o neandertal foi extinto quando surgiu uma espécie mais eficiente, ele observa que agora criamos máquinas mais eficientes que nós. A conclusão foi prática: decidiu ter aulas com especialista em IA para incorporar a ferramenta à rotina produtiva.
Resistiu por muito tempo. Teve uma visão ingênua de que poderia escolher usar ou não a ferramenta. Com o tempo, reconheceu que seria burrice se recusar a explorar as possibilidades. Agora treina sua IA. Ela funciona melhor em tarefas repetitivas do que criativas, papel que Bial reserva a si mesmo.

Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos (Foto: reprodução/Pedro Dimitrow/GQ Brasil)
Conversa com Bial em novo horário
O programa Conversa com Bial está no ar desde 2017. Recentemente, ganhou uma nova fase: saiu da madrugada para um formato semanal às terças-feiras por volta das 23h40. A mudança atraiu mais audiência e patrocinadores, alterando completamente a dinâmica editorial do trabalho.
Antes, tinha liberdade de dedicar uma edição inteira a um autor pouco conhecido. Agora precisa fazer apostas mais certeiras. O desafio é testar até onde consegue ousar sem perder o público. A tensão entre coragem editorial e viabilidade comercial define cada escolha de entrevistado, cada tema.

Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos (Foto: reprodução/Pedro Dimitrow/GQ Brasil)
Documentários e cinema
Em fevereiro, Bial tornou-se diretor artístico do Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo. Já estava envolvido em documentários há mais tempo: dirigiu Xuxa, o Documentário e Vale o Escrito em 2023. Sua aposta é clara: documentário sempre precisará de gente de verdade.
Prepara também uma série documental sobre Tom Jobim para celebrar o centenário de nascimento em 2027. Está ouvindo toda a obra do maestro orientado por especialistas, com a convicção de que entender algo permite apreciá-lo melhor. O projeto reúne aprendizado contínuo e reverência, dois pilares do trabalho de Bial.

Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos (Foto: reprodução/Pedro Dimitrow/GQ Brasil)
Saúde e longevidade
Em 2016, Bial passou por cirurgia cardíaca e recebeu três pontes de safena. Desde então, considera estar no lucro. A experiência o levou a refletir profundamente sobre morte, fragilidade e o que significa viver com consciência dos limites.
O cigarro deixou marca. Era fumante bravo até aos 50 anos. Ao abandonar o hábito, deixou como sequela um enfisema pequeno mas suficiente para provocar arrependimento contínuo.
“Sou um arrependimento ambulante”
Apesar disso, mantém rotina disciplinada. É ex-jogador profissional de basquete, mas lesões no joelho esquerdo o impedem de correr. Caminha em ritmo acelerado meia hora todos os dias. Faz musculação de duas a três vezes por semana com personal trainer. Descobriu recentemente tai chi chuan, prática que combina movimento, filosofia e tradição oriental.
A leitura de Emmanuel Carrère sobre ioga e a recomendação de Paulliny Tort em Os Imortais estimularam o interesse na prática. Para Bial, as influências nunca vêm isoladas: um livro leva a outro, uma prática leva a uma reflexão, uma reflexão leva a um projeto. É assim que se constrói uma vida de 68 anos ainda fecunda.

Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos (Foto: reprodução/Pedro Dimitrow/GQ Brasil)
Paternidade em diferentes fases
Bial tem cinco filhos com idades que vão dos 6 aos 39 anos. Experiências de criação distintas para cada um. Sua filha Ana, com 39 anos, é grande amiga. Theo e José constroem seus próprios caminhos. As filhas menores, Laura e Dora, oferecem a oportunidade de acompanhar o mundo pelos olhos de quem conhece tudo pela primeira vez.
A filha caçula nasceu em dezembro de 2019. Os primeiros dois anos de vida coincidiram com a pandemia, período em que Bial teve convivência diária em casa. Reconhece que era um pouco menos presente e mais duro no passado como pai. Agora precisa vigiar para não se transformar em paivô.
Maria Prata e o equilíbrio
Sua esposa, Maria Prata, tem participação importante no equilíbrio que Bial procura cultivar. Maria possui bom senso robusto e ajuda a contrabalançar a tendência de Bial ao exagero. Jornalista com sólido pilar em moda, ela transformou a relação de Bial com o vestuário de forma substancial.
Bial cultivava relação ignorante com moda até aprender com Maria. Veste um pouco menos pior agora, incorporou o conselho de usar preto quando não quer errar. Menciona Theory entre as etiquetas de que gosta. Durante a entrevista à GQ, calçava tênis Salomon.
A paixão por biografias
Bial tem paixão antiga por leitura de biografias. Precisa se obrigar a descobrir outros tipos de título, pois a tendência é sempre retornar aos relatos de vida. Como autor, dedicou-se a personagens como Roberto Marinho, Luiza Trajano e Isabel Salgado. Encontra afinidades entre indivíduos de origens distantes ao rastrear suas histórias.
Envelhecimento e produtividade
Rejeita a ideia de que vivacidade e curiosidade sejam exclusivas da juventude. Considera equívoco o conselho de aproveitar a vida enquanto jovem, preferindo a recomendação oposta: se preparar enquanto jovem para a estrada pela frente. Sua mãe morreu aos 101 anos. Seu pai faleceu aos 55 durante sua adolescência.
Trabalhando para conseguir velhice produtiva e não frágil, Bial observa os dois extremos e escolhe seu caminho. A vida é feita de arrependimento, sim. Sente dificuldade em se reconhecer em versões anteriores de si mesmo. Às vezes olha para trás com severidade excessiva. Sua mãe, aos 90 anos, fez discurso reconhecendo as bobagens de cada década da vida.
Bial crê que é bom reconhecer a própria imbecilidade e se perdoar por ela. Essa absolvição particular sustenta a produtividade contínua.
Comunicação apesar da incomunicabilidade
Faz comunicação ciente da incomunicabilidade essencial entre as pessoas. Transformou esse paradoxo em matéria-prima para seus projetos, do programa de TV ao filme que está desenvolvendo. Continua trabalhando para transmitir ideias apesar das dificuldades, reconhecendo que o fracasso parcial é constitutivo do trabalho.
