Paul McCartney relembra período difícil após fim dos Beatles e desabafa: “Foi muito assustador”

Em entrevista a Judd Apatow, o baixista relembrou a crise emocional que enfrentou na Escócia e o papel de Linda McCartney em sua recuperação

30 set, 2026
Paul McCartney | Reprodução/Instagram/@paulmccartney
Paul McCartney | Reprodução/Instagram/@paulmccartney

Paul McCartney, aos 84 anos, comparou o fim dos Beatles em 1970 a ser demitido de um emprego durante entrevista ao diretor Judd Apatow após exibição especial do documentário Paul McCartney: Man on the Run. O músico afirmou que a banda foi o único trabalho que teve na vida e que a separação o deixou sem identidade profissional.

McCartney é baixista e uma das principais vozes dos Beatles, banda que marcou a história da música mundial. A conversa completa foi divulgada pela revista Quem.

A crise emocional

“O que você faz depois dos Beatles? Os Beatles terminam, esse foi o único trabalho que você teve e, então, você não o tem mais. É como se tivesse sido demitido”

A separação da banda representou um vazio profundo para McCartney. Longe da estrutura que o definia há anos, o músico precisou lidar com a perda de um projeto que havia dominado sua vida adulta.

Naquele período, McCartney enfrentou dificuldades emocionais intensas. Estava isolado na Escócia com a família recém-formada quando começou a beber para lidar com o vazio.

“Quer dizer, eu comecei a beber. Estava sozinho na Escócia, com uma pequena família recém-formada. Ninguém ia me repreender por beber demais… e foi muito divertido até deixar de ser”

O alcoolismo foi uma resposta ao desconforto de estar sozinho pela primeira vez em sua carreira profissional. Sem a pressão externa ou a censura de alguém próximo, McCartney mergulhou em um comportamento que, inicialmente, parecia libertador.

Linда McCartney foi fundamental para que o compositor saísse desse período. Segundo McCartney, ela era uma mulher inteligente que lhe deu espaço e apoio para processar a fase de separação sem julgamentos. Seu papel foi de acompanhamento paciente enquanto McCartney reconfigurava sua identidade artística.

A reinvenção com Wings

Um ano após o fim dos Beatles, McCartney formou a banda Wings ao lado de Linda, do guitarrista Denny Laine e do baterista Denny Seiwell. A nova banda representava a possibilidade de criar algo diferente, longe da sombra dos Beatles.

“Acho que ficar sozinho foi muito assustador, porque eu sempre tive a união do grupo”

A transição para Wings trouxe um dilema criativo que McCartney precisou resolver. Ele enfrentava a questão de como fazer músicas novas sem reproduzir o som que o mundo conhecia. Considerou brevemente a possibilidade de escrever no estilo dos Beatles e chamar outras pessoas para imitá-las, mas logo descartou a ideia.

McCartney decidiu não tocar músicas dos Beatles com Wings. Precisava descobrir uma maneira autêntica de fazer diferente, aquilo que ele chamou de “o truque”. Wings se tornou o laboratório para essa reinvenção, permitindo que explorasse novas sonoridades e composições sem estar preso ao legado da banda anterior.


Paul McCartney relembra crise após fim dos Beatles (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Paul Popper)


O conflito com Allen Klein

Durante esse período de transição, McCartney também enfrentou uma batalha legal contra seus antigos parceiros. Processou John Lennon, George Harrison e Ringo Starr por conta do empresário Allen Klein, que gerenciava os negócios da Apple Corps.

McCartney alegava que Klein desviaria a fortuna dos Beatles para si mesmo. O empresário tinha controle sobre os ganhos da banda e canalizava todo o dinheiro para sua conta bancária.

“Ele prometeu o mundo e não cumpriu. Mas, enquanto isso, eu percebia que ele era um vigarista”

McCartney relutou antes de tomar a decisão de processar. Entrou na justiça porque viu na ação legal o único caminho viável para lidar com a situação. Demorou para os outros membros da banda perceberem as práticas questionáveis de Klein, o que deixou McCartney sozinho nessa luta inicial.

O documentário Paul McCartney: Man on the Run acompanha essa reinvenção artística e os desafios que o músico enfrentou após a dissolução dos Beatles, oferecendo um retrato detalhado de um período turbulento que moldou o restante de sua carreira.

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