Famosos transformam moda em performance artística no Met Gala 2026

Celebridades apostam em caracterizações radicais e referências históricas; críticas sociais no tapete vermelho são feitas sob o tema “Fashion is Art”

05 maio, 2026
Famosos aparecem irreconhecíveis em Met Gala 2026 | Reprodução/Instagram/@justjared/@heidiklum
Famosos aparecem irreconhecíveis em Met Gala 2026 | Reprodução/Instagram/@justjared/@heidiklum

O Met Gala 2026 provou que, quando o assunto é moda, a linha entre vestir e performar está cada vez mais tênue. Realizado no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, o evento deste ano, guiado pelo tema “A Arte do Figurino” e pelo dress code “Fashion is Art”, transformou o tapete vermelho em uma verdadeira galeria viva.

Entre releituras de obras clássicas, referências ao cinema e manifestações de crítica social, algumas celebridades foram além da estética tradicional e apostaram em caracterizações tão intensas que se tornaram praticamente irreconhecíveis. O resultado foram produções que desafiaram o olhar imediato e ampliaram o debate sobre moda como forma de expressão artística.

Bad Bunny e “O Corpo Envelhecido”

O cantor porto-riquenho surpreendeu ao surgir caracterizado como um idoso. Com cabelos e barba grisalhos, próteses faciais e postura curvada apoiada em uma bengala, o artista incorporou uma narrativa completa. O look foi um tributo à seção “O Corpo Envelhecido” da exposição, propondo uma reflexão como o tempo e a transformação física se conectam à moda. 


O cantor Bad Bunny aparece vestido com trajes e caracterização que o remetem a um idoso.

“O corpo envelhecido” foi a escolha de Bad Bunny para o conceito do look (Fotos: reprodução/Instagram/@badbunnyybenito)


Heidi Klum incorpora mármore esculpido

Conhecida por suas produções elaboradas no Halloween, Heidi levou seu talento performático ao Met Gala ao aparecer como uma verdadeira escultura viva. Inspirada em obras clássicas como o Cristo Velado e na peça “Veiled Vestal”, de Raffaelle Monti, a modelo vestiu uma criação que simulava mármore esculpido. O resultado foi uma ilusão de ótica impressionante, que transformava tecido em pedra e moda em arte literal.


A super modelo Heidi Klum usou uma produção que faz alusão a uma estatua de mármore.

A modelo surgiu irreconhecível no evento. (Fotos: reprodução/Instagram/@heidiklum)


Katy Perry e o “auto reflexo”

Se há alguém que entende o poder do impacto visual no Met Gala, é Katy Perry. Neste ano, a cantora apostou em um visual conceitual que combinava elementos de armadura, esgrima e simbologia mística. Vestindo Stella McCartney, Katy chegou ao evento com o rosto completamente coberto por um adorno metálico que remetia a um capacete. Ao removê-lo diante das câmeras, criou um verdadeiro “reveal” performático. O adorno de cabeça foi “projetado para ser um reflexo literal e simbólico que convida o observador a considerar que sua percepção dos outros pode espelhar seu próprio mundo interior e, inversamente, mascarar a verdade.


Katy Perri usa look com adorno em cabeça fazendo alusão a um capacete de esgrima com refletor

Katy Perry traz reflexão sobre “olhar para si mesmo” (Fotos: reprodução/Instagram/@justjared)


Luke Evans expressa liberdade de expressão na moda

O ator trouxe uma referência direta à obra de Tom of Finland, artista que revolucionou a representação do homem gay no século XX. Com elementos como couro, óculos aviador e um bigode marcante, Luke Evans construiu um visual carregado de sensualidade e identidade. Mais do que estética, a escolha dialoga com história, representatividade e liberdade de expressão dentro da moda.


Luke Evans faz referência à obra de Tom of Finland (Fotos: reprodução/Instagram/@thereallukeevans/@justjared)


Sarah Paulson faz critica aos “cegos por dinheiro”

Entre as propostas mais críticas da noite, Sarah Paulson chamou atenção ao usar uma máscara feita a partir de uma nota de dólar. Vestindo a marca Matières Fécales, a atriz apresentou um look da coleção “The One Percent”, que ironiza a elite econômica e a concentração de riqueza. O acessório, altamente simbólico, ganhou ainda mais força diante da presença de grandes bilionários no evento, transformando o visual em uma declaração política.


A atriz Sarah Paulson usa um traje cinza com uma nota de dólar como máscara

A atriz usa máscara de dólares para enfatizar que “o dinheiro cega” (Fotos: reprodução/Instagram/@biggerthanyu/@sarahpaulsbean)


Quando a moda deixa de ser roupa e vira discurso

Se em outras edições o glamour reinava absoluto, o Met Gala 2026 deixou claro que a moda também pode – e talvez deva – incomodar e questionar. Essas celebridades não apenas chamaram atenção, mas reforçaram o papel do evento como um espaço em que estética, conceito e narrativa caminham juntos.

Mais do que looks impactantes, o que se viu foi uma tentativa clara de transformar o vestir em linguagem  e o tapete vermelho em palco.

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