Lei Felca entra em vigor e influenciador vira alvo de ataques

A legislação agora exige supervisão dos pais e um maior controle de idade, gerando revolta e ameaças contra o youtuber por adolescentes por ficar offline

18 mar, 2026
Felca | Reprodução/Instagram/@felca0
Felca | Reprodução/Instagram/@felca0

A internet brasileira amanheceu agitada nesta quarta-feira (18). Um dia após a entrada em vigor da Lei nº 15.211 de 2025, popularmente batizada como Lei Felca, o influenciador Felipe Bressanim tornou-se o principal alvo de uma onda de hostilidade nas redes sociais. A nova legislação, que amplia a proteção de menores no ambiente digital, gerou revolta entre jovens e adolescentes, alimentada, em grande parte, pela desinformação sobre o que muda de fato no dia a dia dos usuários.

O movimento contra o criador de conteúdo escalou rapidamente no X. Enquanto alguns usuários reclamam da nova burocracia para confirmar a idade em aplicativos, outros adotaram tons mais agressivos, chegando a proferir ameaças de agressão física. “Petição para buscar o Felca e espancar ele”, dizia um dos comentários compartilhados pelo próprio influenciador para expor a situação.

O peso da desinformação entre os jovens

O grande combustível para a onda de ódio parece ser a interpretação equivocada do texto legal. Muitos jovens acreditam que a lei proíbe menores de 16 anos de utilizarem redes sociais ou de se comunicarem com a família. Em um dos desabafos publicados, um adolescente questionava como falaria com a mãe ou quem responderia por ele caso algo acontecesse, já que não poderia mexer em nenhum aplicativo.


Felca influencer digital (Foto: reprodução/Instagram/@gossipdodia)


Na realidade, a Lei Felca não impede o uso das ferramentas, mas exige supervisão parental e critérios mais rígidos de verificação de idade. O objetivo é garantir que os responsáveis tenham controle sobre o que os menores consomem e com quem interagem, combatendo a exposição precoce. A confusão sobre essas regras tem gerado um clima de pânico e revolta desnecessários entre o público jovem, que vê no influenciador a figura de um vilão que cerceou sua liberdade digital.

Do vídeo de denúncia ao Estatuto Digital

A trajetória da lei começou no ano passado, quando Felca publicou um vídeo denunciando a adultização infantil e o uso de crianças para ganho financeiro por parte de familiares e outros influenciadores. O debate público ganhou força após o caso de Hytalo Santos, que foi citado por Felca e posteriormente condenado por produção de conteúdo sexual envolvendo adolescentes, o que acelerou a tramitação do projeto no Congresso.

A legislação agora obriga as plataformas a agirem de forma ativa na prevenção de riscos e na remoção de conteúdos inadequados. Além das redes sociais, o mercado de jogos também sofreu mudanças drásticas em suas diretrizes de acesso para menores, o que intensificou o descontentamento. Apesar das boas intenções em proteger os mais vulneráveis, Felca agora lida com o revés de ser o rosto de uma mudança que, embora necessária para a segurança jurídica e física dos jovens, é vista por eles como um incômodo.

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