Menos volume, mais estrutura: Dr. Eduardo Faria explica por que a cirurgia mamária moderna vai além do tamanho da prótese
Especialista explica como características anatômicas, estilo de vida e expectativas individuais passaram a definir os resultados das cirurgias mamárias modernas
Durante décadas, a cirurgia mamária esteve associada ao aumento expressivo do volume dos seios. Prótese grande, colo marcado e resultados evidentes faziam parte do imaginário de muitas mulheres que buscavam o procedimento. No entanto, esse cenário vem mudando de forma significativa. Atualmente, a procura por resultados mais naturais, proporcionais ao corpo e alinhados ao estilo de vida da paciente tem redefinido os rumos da cirurgia plástica mamária.
Os números demonstram que a cirurgia mamária continua entre os procedimentos estéticos mais procurados no mundo. Segundo levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), mais de 1,6 milhão de mamoplastias de aumento foram realizadas globalmente em 2024, mantendo o procedimento entre os três mais executados entre as mulheres.
No Brasil, um dos principais mercados mundiais da cirurgia plástica, o aumento mamário segue entre os procedimentos mais realizados, com mais de 232 mil cirurgias registradas em 2024.
Para o cirurgião plástico Dr. Eduardo Faria, a principal mudança não está na quantidade de pacientes interessadas na cirurgia, mas no tipo de resultado que elas desejam alcançar.
“Eu acredito que não só na cirurgia mamária, mas a tendência dos últimos anos é que as pacientes estão buscando menos volume e mais definição nas suas cirurgias”, afirma.
Segundo o especialista, as referências estéticas também passaram por uma transformação.
“Se você observar as referências de beleza há alguns anos, era comum vermos pacientes com muito volume mamário e muito volume de glúteos. Hoje, as referências de beleza, principalmente entre celebridades, mostram mulheres mais definidas. Na cirurgia mamária isso não é diferente.”
Menos volume e mais harmonia
A valorização da naturalidade tem provocado uma redução gradual no tamanho dos implantes escolhidos pelas pacientes.
De acordo com o médico, próteses que há alguns anos eram frequentemente utilizadas hoje se tornaram exceções.
“Há alguns anos era muito comum utilizarmos próteses de 400 ml ou até 500 ml nas cirurgias. Atualmente, isso tem se tornado cada vez mais raro.”, comenta sobre a situação.
Além da questão estética, fatores relacionados à qualidade de vida também influenciam essa escolha. O crescimento do interesse por atividades físicas e esportes tem levado muitas mulheres a optarem por implantes menores e mais compatíveis com suas rotinas.
“Cada vez mais as mulheres estão entrando no universo fitness. Sem dúvida, uma prótese de 500 ml pode dificultar algumas atividades, principalmente corrida e exercícios de alto impacto.”, detalha ao recordar que quanto mais a paciente se dedica a um esporte, mais chances ela tem de buscar próteses menores.
Outro ponto importante envolve a durabilidade dos resultados. Pensando a longo prazo, o cirurgião explica que próteses maiores tendem a cair com mais facilidade, diferentemente do que acontece com as próteses menores.
Para pacientes com flacidez mamária, apenas escolher o tamanho da prótese não é suficiente para garantir um bom resultado. Segundo o cirurgião plástico, é preciso avaliar toda a estrutura das mamas para definir a melhor abordagem. Nesses casos, a mastopexia com sutiã interno pode ajudar a oferecer mais sustentação e estabilidade ao longo do tempo.
O especialista também destaca a técnica de cicatriz reduzida como um diferencial importante, especialmente para mulheres que buscam resultados mais discretos. Além disso, ele ressalta que fatores como qualidade da pele, variações de peso e gestações futuras também influenciam diretamente a durabilidade do resultado cirúrgico.
Personalização é o caminho das cirurgias plásticas
Se antes muitas pacientes chegavam ao consultório com um volume específico em mente, hoje a tendência é a personalização completa do planejamento cirúrgico.
Segundo o Dr. Eduardo, a escolha da prótese ideal envolve uma série de avaliações anatômicas e funcionais.
“Durante a consulta avaliamos a altura da paciente, a quantidade de tecido mamário existente, a largura do tórax, a distância entre a aréola e o sulco mamário, entre outros parâmetros. Além disso, também avaliamos o desejo da paciente.”, comenta.
A combinação entre critérios técnicos e expectativas individuais permite alcançar resultados mais harmoniosos e discretos, respeitando o limite anatômico da paciente e personalizando o procedimento.
Essa mudança também pode ser observada em mulheres que realizaram mamoplastias há muitos anos e agora procuram revisões cirúrgicas.
“Uma tendência que vejo cada vez mais frequentemente é a de pacientes que colocaram próteses muito grandes no passado e retornam ao consultório querendo reduzir esse volume. Muitas vezes, após a amamentação e as mudanças naturais do corpo, elas buscam algo mais proporcional e confortável.”, explica.
Menores cicatrizes ganham espaço entre as pacientes
Segundo o cirurgião plástico Dr. Eduardo Faria, a possibilidade de reduzir o tamanho das cicatrizes em procedimentos mamários depende diretamente das características individuais de cada paciente, especialmente do grau de flacidez das mamas. O especialista explica que utiliza a técnica de cicatriz reduzida em suas mastopexias, o que permite resultados mais discretos quando há indicação adequada.
De acordo com o médico, pacientes com flacidez leve a moderada podem apresentar cicatrizes horizontais de aproximadamente cinco centímetros, posicionadas no sulco mamário, tornando-as pouco perceptíveis no dia a dia. Já a cicatriz vertical costuma ficar bastante discreta, enquanto a aréola é reposicionada para uma localização mais elevada e harmoniosa. No entanto, Dr. Eduardo ressalta que, em casos de flacidez mais acentuada, a extensão da cicatriz tende a ser maior, uma vez que a quantidade de pele a ser removida também é mais significativa.

Dr. Eduardo Faria (Foto: reprodução/Divulgação)
O impacto das redes sociais
As redes sociais continuam exercendo forte influência sobre os padrões estéticos. Porém, para o especialista, a relação entre inspiração e expectativa precisa ser analisada com cautela.
“Antes a referência era a atriz da novela. Hoje é a influenciadora digital. Esse padrão continua existindo.”, explica ao relatar algumas expectativas apresentadas por pacientes.
O problema, segundo ele, surge quando as pacientes tentam reproduzir exatamente o resultado de outra pessoa, e aí que o profissional reforça a orientação. “Eu
sempre explico que a mesma prótese pode parecer muito grande em uma mulher e pequena em outra. O resultado depende da anatomia individual de cada paciente.”
Além disso, a realidade apresentada nas redes nem sempre corresponde ao cotidiano da maioria das pessoas, já que na maioria delas, a rotina é completamente diferente.
“Muitas influenciadoras vivem da própria imagem, treinam diariamente, têm acompanhamento nutricional constante e uma rotina totalmente voltada para o corpo. É importante entender que esses padrões nem sempre são reproduzíveis para alguém que trabalha, estuda e possui uma rotina comum.”, reforça.
Por isso, alinhar expectativas continua sendo uma das etapas mais importantes do planejamento cirúrgico.
O futuro aponta para a naturalidade
Embora os padrões estéticos estejam sempre em transformação, o médico Dr. Eduardo acredita que a tendência atual deve permanecer por um bom tempo.
“Hoje estamos vivendo um ciclo de próteses menores, mais naturais e de corpos mais definidos do que volumosos. Particularmente, acredito que esses resultados fazem mais sentido tanto do ponto de vista estético quanto funcional.”
Para ele, a combinação entre saúde, atividade física e proporcionalidade continuará guiando as escolhas das pacientes nos próximos anos.
“Vejo que a busca por uma aparência mais natural e equilibrada deve continuar crescendo. Mas é fundamental que cada mulher entenda que o melhor resultado não é aquele inspirado em outra pessoa, e sim aquele que respeita sua individualidade, suas características anatômicas e seu estilo de vida.”, conclui.
Dr. Eduardo Faria – Crm 52-01052543 | RQE 36702.
