Investigação na Itália mira marketing da Sephora voltado ao público infantil

Itália apura táticas da LVMH que induzem menores ao uso de cosméticos adultos, ignorando perigos à saúde e incentivando a obsessão por pele perfeita

31 mar, 2026
Loja Sephora | Reprodução/Instagram/@sephorabrasil
Loja Sephora | Reprodução/Instagram/@sephorabrasil

A Autoridade Garantidora da Concorrência e do Mercado (AGCM), órgão regulador da Itália, instaurou uma investigação sem precedentes contra a rede Sephora e a marca Benefit Cosmetics, ambas pertencentes ao conglomerado de luxo LVMH. A apuração foca em supostas práticas comerciais desleais que estariam induzindo crianças e pré-adolescentes ao consumo compulsivo de produtos estéticos formulados estritamente para adultos.

O caso marca a primeira intervenção direta de um regulador europeu sobre a exposição de menores a rotinas complexas de cuidados com a pele, em um cenário de crescente vigilância digital e pressão estética sobre as novas gerações.

Cosmeticorexia: o marketing e a obsessão pela pele perfeita

No centro do inquérito está a estratégia de utilizar micro-influenciadores muito jovens para promover séruns, máscaras faciais e cremes antienvelhecimento. Segundo a AGCM, essa abordagem é insidiosa por atingir um público em fase de desenvolvimento, incentivando o fenômeno da cosmeticorexia. Recentemente definido pelo Journal of Dermatology and Therapy, o termo descreve uma obsessão cultural por uma pele impecável, resultando no uso excessivo e inadequado de procedimentos e cosméticos para a idade.


Investigação sobre o marketing da Sephora (Foto: reprodução/Instagram/@cosmeticinnovation)


O órgão regulador aponta que a experiência contemporânea dos jovens, constantemente vigiados por redes sociais e câmeras, criou um espaço onde a imitação do comportamento adulto é incentivada. O que antes era estimulado por marcas de entretenimento, como a Disney, agora se traduz em um consumo precoce de ativos químicos potentes, cujos efeitos em peles infantis podem ser severos.

Omissão de riscos à saúde e a defesa do grupo LVMH

A investigação também apura se informações cruciais sobre a segurança dos produtos foram omitidas ou apresentadas de forma enganosa. A AGCM alerta que muitos desses cosméticos não foram testados em menores e a ausência de avisos claros pode levar a danos físicos reais, como cicatrizes permanentes e reações alérgicas graves. A acusação fundamental é que as marcas falharam ao não indicar que tais produtos não se destinam ao público infantojuvenil.

Em nota oficial enviada à agência Reuters, a Sephora e a Benefit Cosmetics, juntamente com a LVMH Perfumes & Cosmetics Italy, afirmaram que operam em estrita conformidade com as regulamentações aplicáveis e garantiram total colaboração com as autoridades. O desfecho do caso deve estabelecer um novo padrão ético para a publicidade de beleza no mercado global, confrontando a fronteira entre o marketing de influência e a proteção da vulnerabilidade infantil.

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