STF mantém afastamento temporário de dirigentes da Polícia Federal

Decisão de André Mendonça segue em vigor enquanto ministros analisam possíveis irregularidades em relatórios produzidos pela inteligência da PF

08 set, 2026
Supremo Tribunal Federal | Reprodução/Agencia Brasil/Marcello Casal Jr
Supremo Tribunal Federal | Reprodução/Agencia Brasil/Marcello Casal Jr

Foi determinado nesta terça-feira (8) o afastamento temporário do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. A decisão foi anunciada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, enquanto o caso ainda está sendo analisado pelas autoridades.

Para compreendermos o que aconteceu, é necessário entender como funciona o departamento de inteligência da Polícia Federal. Essa área dentro da PF é responsável por reunir e analisar informações que podem auxiliar no entendimento de situações de interesse de segurança pública e também para investigações.

Neste caso, PF produziu seis relatórios de inteligência entre 3 e 31 de agosto de 2026. No entanto, foi reportado por Mendonça que esses relatórios teriam analisado não apenas as informações sobre crimes ou segurança pública, mas também a atuação de autoridades, incluindo o próprio ministro do STF e Jorge Messias, o advogado-geral da União.

Qual é o motivo do afastamento temporário?

De acordo com Mendonça, os relatórios poderiam ter sido utilizados de maneira irregular, visto que a PF não deveria utilizar sua estrutura de inteligência para monitorar ou avaliar a atuação de ministros do STF, além de ter apresentado problemas de documentação, atuação considerada indevida, exposição de informações sigilosas e o risco de interferência em outras investigações.

Ainda segundo Mendonça, isso se tornou um problema a partir do momento em que a Polícia Federal ultrapassou os limites da sua função ao incluir nos relatórios ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o levando a questionar quem autorizou a produção desses documentos, por que eles foram produzidos e como foram utilizados.


Matéria da CNN sobre o caso (Foto: reprodução/X/@CNNBrasil)


O caso ganhou força no início de setembro, quando o partido Novo solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) providências contra o diretor-geral, Andrei Rodrigues, afirmando que mensagens que citavam o nome “Andrei” foram encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso sob custódia da Polícia Federal.

Após o ocorrido, o ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo de relatórios da PF que mencionavam os integrantes do STF, cujos documentos também possuíam informações sobre a atuação de Mendonça e acabaram aumentando a crise entre as instituições.

Portanto, nesta terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento dos dirigentes da Polícia Federal, a fim de investigar o caso.

Quais são os próximos passos?

O afastamento é provisório e continua valendo enquanto o STF analisa a decisão. Até o momento, três ministros votaram pela manutenção da medida: o próprio André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

O ministro Gilmar Mendes, por sua vez, pediu mais tempo para analisar o caso. Mesmo com a solicitação, o afastamento dos dirigentes da PF permanece em vigor. Durante esse período, William Murad, diretor-executivo da instituição, deve assumir interinamente a direção do órgão.

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