Representante da Coreia do Norte faz discurso incisivo na ONU

Kim Son-Gyong discursou na ONU nesta segunda, fazendo críticas aos EUA, Japão e Coreia do Sul e enfatizando que país não vai abrir mão de acervo nuclear

28 set, 2026
Sede da ONU em Nova York | Reprodução/Instagram/@unitednations
Sede da ONU em Nova York | Reprodução/Instagram/@unitednations

Nesta segunda-feira (28), o vice-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Kim Son-Gyong, falou durante a 81.ª Assembleia Geral da ONU. Durante seu discurso, o representante da Coreia do Norte utilizava um broche com o rosto de Kim Jon Il, falecido presidente do país e pai do atual presidente Kim Jong-Un. No broche também havia a imagem de Kim Il Sung, avó de Kim Jong Un. Tanto Kim Il Sung quanto Kim Jong Il são considerados “líderes eternos” da Coreia do Norte, e o uso de suas imagens em vestimentas de autoridades do país é quase obrigatório.

Coreia do Norte crítica Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul

Kim Son-Gyong utilizou seu discurso para fazer críticas aos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. Segundo ele, os três países têm aumentado a tensão na Península Coreana. Os países estariam realizando exercícios militares e aumentando seu armamento. Kim citou o Freedom Shield e o Freedom Edge, sendo exercícios militares feitos pelos três países. De acordo com o vice-ministro, os países estariam simulando cenários de guerra contra a Coreia do Sul e criando um bloco ofensivo com armamento nuclear.


 

 

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Kim Son-Gyong discursa na ONU (Vídeo: reprodução/Instagram/@metropolespolitica)


Kim Son-Gyong também criticou o Japão, em especial os altos investimentos militares. Ele acusa o país de utilizar o cenário internacional para acelerar seu processo de rearmamento e de desenvolver armas de longo alcance. No entanto, ele afirmou que não houveram conflitos na Península Coreana e que a capacidade militar do país foi responsável por impedir que ataques ocorressem.

Desarmamento nuclear

O representante da Coreia do Norte foi enfático ao dizer que o país não irá abrir mão de suas armas nucleares. Segundo Kim Son-Gyong, o status do país de “potência nuclear” é permanente e necessário para proteger a soberania do país. Ele defende que Pyongyang manterá seu armamento nuclear para se defender de ameaças externas.

O país tem um poderoso acervo nuclear, com cerca de 60 nucleares prontas, e possui material para construir mais ogivas, podendo acumular cerca de 90 a 120 ogivas nucleares, segundo estimativas de institutos de segurança. Em 20 de setembro, o país lançou dois mísseis balísticos no mar, segundo o exército sul-coreano.

Anteriormente, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) havia enviado uma resolução para a Coreia do Norte condenando a expansão de armamentos nucleares do país. A classificação de “potência nuclear” está prevista na Constituição norte-coreana desde 2023.

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