Grupos extremistas usavam Telegram para planejar ataques em Brasília

Um dos grupos contava com mais de 600 integrantes e um núcleo restrito de 46 pessoas; participantes compartilhavam mapas dos prédios da capital

11 ago, 2026
Investigação da Polícia do DF revelou grupo que planejava atentados contra políticos e prédios públicos | Reprodução/Instagram/natalimayerr
Investigação da Polícia do DF revelou grupo que planejava atentados contra políticos e prédios públicos | Reprodução/Instagram/natalimayerr

Grupos extremistas usavam o Telegram para recrutar novos integrantes, disseminar ideias neonazistas e incentivar a violência.

Conversas monitoradas pelas autoridades mostram que participantes considerados mais radicalizados eram selecionados para um grupo restrito. Nesse espaço, passaram a compartilhar instruções sobre ações violentas e a discutir possíveis ataques contra prédios públicos dos Três Poderes, em Brasília.

Grupo restrito para planejar ataques

Um dos grupos identificados no aplicativo reunia mais de 600 integrantes. A partir dele, participantes considerados alinhados ao perfil buscado pelos administradores eram convidados para um segundo grupo, que tinha 46 membros.

O acesso ao espaço restrito não era aberto. Para participar, era necessário receber um link ou localizar o grupo pelo nome exato. Os administradores também procuravam identificar entre os participantes pessoas dispostas a participar de ações violentas.

Em uma das conversas, um integrante chegou a pedir indicações de outros grupos neonazistas para ampliar o recrutamento.

Da radicalização ao planejamento

No espaço restrito, as discussões iam além da disseminação de ideologias extremistas. Os participantes compartilhavam instruções para fabricar explosivos e coquetéis molotov, além de discutir o desenvolvimento de artefatos explosivos.

As conversas também incluíam estimativas sobre quantidades e custos dos materiais. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, os cálculos indicavam a possibilidade de produzir mais de três granadas por integrante.

A investigação aponta ainda que os administradores procuravam identificar, entre os participantes, pessoas dispostas a matar.

O relatório do CyberLab, laboratório de repressão a crimes cibernéticos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, classificou os dois grupos como de alto grau de periculosidade. Entre os conteúdos compartilhados estavam mensagens de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.

Segundo as autoridades, o principal objetivo discutido no grupo era invadir e explodir prédios públicos, especialmente o Palácio do Planalto.

Os participantes tinham mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). Também compartilharam a planta baixa do Palácio do Planalto e discutiram possíveis formas de entrar e deixar o prédio.

A intenção, segundo a investigação, ia além de provocar destruição. Os participantes pretendiam usar um eventual ataque em Brasília para transmitir ao país uma mensagem considerada violenta e antidemocrática. Nas conversas, defendiam uma “revolução” e a “abolição do Estado”.

Ainda de acordo com as autoridades, os integrantes não se identificavam necessariamente com um lado político específico.


 

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Reportagem sobre investigação do grupo que planejava atentados em Brasília (Vídeo: reprodução/Instagram/@globonews)


Monitoramento dos grupos

As mensagens foram identificadas durante o trabalho do CyberLab, que monitora pessoas que utilizam perfis anônimos na internet para produzir ou compartilhar conteúdo de ódio.

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, somente naquele ano o laboratório havia produzido 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio diferentes.

Os investigadores identificaram, em geral, homens jovens envolvidos na disseminação de conteúdos racistas, homofóbicos e misóginos. Mensagens de violência contra mulheres também apareciam com frequência nas conversas monitoradas.

Operação policial

Na última terça-feira (4), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados.

Os investigados devem responder por crimes como associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime. Computadores e celulares apreendidos durante a operação ainda são analisados pelos investigadores.

Entre os planos discutidos estava o de “explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater”. Segundo as autoridades, havia indícios de que os integrantes pretendiam levar o plano adiante. Por isso, os investigadores consideraram que não seria necessário aguardar uma eventual execução dos ataques para agir.

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