EUA e Irã retomam negociações e petróleo recua no mercado

Após cancelar ataque, Trump diz que EUA e Irã retomam diálogo nesta segunda; Brent e WTI recuam com redução do temor sobre a oferta de petróleo

03 ago, 2026
Donald Trump | Reprodução/instagram/@potus
Donald Trump | Reprodução/instagram/@potus

A escalada entre Washington e Teerã ganhou um novo capítulo neste início de semana: horas depois de admitir ter cancelado uma ofensiva de grandes proporções contra o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que as duas nações vão sentar à mesa de negociação já nesta segunda-feira (3). O anúncio derrubou os preços do petróleo, que abriram a semana em queda diante da redução do risco de um confronto direto capaz de afetar o fluxo global de energia.

Falando a jornalistas a bordo do Air Force One no domingo (2), Trump disse que as forças iranianas tinham conhecimento da magnitude do ataque que estava sendo planejado, e atribuiu o recuo a pedidos de países aliados, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, além do próprio governo iraniano. Segundo o republicano, as conversas devem começar na tarde desta segunda.

A versão, no entanto, não é confirmada por Teerã. A imprensa estatal iraniana rejeitou a informação de que o país tenha solicitado a suspensão do ataque, e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, foi além nesta manhã: afirmou que não há, no momento, negociações em curso com os Estados Unidos. Segundo ele, o que existe são tratativas com Omã sobre uma rota alternativa e temporária de navegação pelo Estreito de Ormuz, sem que isso represente a reabertura da hidrovia, estrangulada desde a retomada dos confrontos em 8 de julho.

Movimentação diplomática regional se intensifica

Enquanto a Casa Branca sinaliza abertura ao diálogo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi tem concentrado esforços em reforçar alianças regionais. Ele conversou por telefone com o príncipe saudita Faisal bin Farhan Al Saud e com o comandante do Exército paquistanês, Asim Munir, a segunda rodada de contatos de alto nível em 24 horas, segundo a agência estatal Press TV. Um dia antes, Araghchi já havia alertado a contraparte saudita de que qualquer “agressão” dos EUA ou de Israel teria resposta “firme e proporcional”.


Trump afirma que negociações com o Irã começam nesta segunda-feira (Foto:Reprodução/Instagram/@cnnpolitica)


O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman também entrou em campo: telefonou pessoalmente a Trump defendendo a desescalada do conflito, de acordo com a agência oficial saudita. Fontes ouvidas pela CNN Internacional afirmam que, na ligação, o príncipe expressou preocupação direta com os planos de ataque ao território iraniano.

Efeito imediato nos preços da energia

O impacto no mercado foi rápido. O Brent, referência internacional, cedeu cerca de 5,6%, cotado perto de US$ 83 o barril, enquanto o WTI, usado como parâmetro nos Estados Unidos, recuou aproximadamente 5,5%, para cerca de US$ 80. Ainda assim, o preço médio da gasolina nos EUA, US$ 4,09 por galão, segundo a AAA, segue cerca de 34% acima do patamar registrado antes do início do conflito, mesmo com ligeira queda na comparação semanal.

O Estreito de Ormuz, por onde escoavam cerca de 20 milhões de barris diários antes da guerra, segue praticamente paralisado. O volume que havia se recuperado durante o cessar-fogo anterior, em torno de 200 milhões de barris no período, voltou a cair drasticamente após a retomada das hostilidades. Dados da plataforma MarineTraffic mostram apenas cinco embarcações cruzando o estreito nas últimas 24 horas, contra 34 pelo Bab el-Mandeb, rota que a Arábia Saudita tem usado como alternativa, mas que também sofre ataques de rebeldes houthis apoiados pelo Irã.

No domingo, o comitê ministerial de monitoramento da Opep expressou preocupação com a estabilidade do mercado, apontando que ataques à infraestrutura energética geram reparos caros e demorados, e que as interrupções no comércio marítimo aumentam a volatilidade dos preços.

Apesar da tensão no setor de energia, os mercados acionários reagiram com otimismo à sinalização de diálogo: os futuros do Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq abriram a semana em alta, entre 0,5% e 0,8%.

 

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