F1: Pilotos aprovam ajustes no regulamento, mas cobram maiores mudanças

Mudanças implementadas para a temporada 2026 começaram a gerar reações entre pilotos; equipes e especialistas do paddock analisam alterações

06 maio, 2026
Max Verstappen fez duras críticas a respeito do regulamento l Reprodução/Instagram/@redbullracing
Max Verstappen fez duras críticas a respeito do regulamento l Reprodução/Instagram/@redbullracing

Após o GP de Miami, disputado no último domingo (03), vencido por Kimi Antonelli, da Mercedes, nomes importantes da categoria avaliaram os ajustes feitos no regulamento técnico e esportivo. Embora exista um entendimento de que a entidade deu um passo importante para melhorar o espetáculo e reduzir críticas recentes, o consenso ainda está longe de ser absoluto.

Entre as principais mudanças estão a redução da recuperação de energia durante a classificação, ajustes no chamado “superclipping” e revisões no comportamento aerodinâmico dos carros em situações de ultrapassagem, fazendo com que os carros deixem de perder velocidade. A ideia da entidade é tornar as corridas mais naturais, permitindo que os pilotos acelerem em ritmo máximo por mais tempo sem sofrer punições indiretas no desempenho.

Pilotos aprovam melhora, mas apontam limitações

A grande crítica ao novo regramento se dá pela excessiva dependência do gerenciamento de energia elétrica, algo que muitos pilotos consideram artificial e limitador para disputas mais agressivas na pista. Em resposta às reclamações, a FIA decidiu promover alterações emergenciais, já valendo para o GP de Miami.

Pilotos como Lando Norris, Charles Leclerc e Oscar Piastri destacaram que os carros pareceram mais “naturais” em voltas rápidas. Leclerc afirmou que houve melhora perceptível, principalmente no qualifying, mas ressaltou que as corridas ainda apresentam muitos problemas ligados ao gerenciamento de bateria.

Norris, campeão da temporada 2025, foi ainda mais incisivo ao afirmar que os pilotos continuam sendo “punidos” quando tentam atacar no limite máximo durante toda a volta. O britânico destacou que a Fórmula 1 historicamente sempre valorizou o piloto capaz de extrair tudo do carro em qualquer trecho do circuito. Segundo ele, o atual regulamento ainda impede isso em diversos momentos, o que acaba reduzindo parte da essência da categoria.


Oscar Piastri, Lando Norris e Charles Leclerc também fizeram críticas ao regulamento da F1 em 2026 (Foto: reprodução/Rudy Carezzevoli/Getty Images Embed)


Já Piastri apontou que as mudanças foram importantes para tornar as disputas menos artificiais, embora o impacto ainda esteja distante do ideal esperado pelas equipes. Kimi Antonelli também aprovou os ajustes e afirmou que Miami mostrou uma evolução interessante para o futuro da categoria.

Verstappen segue como principal voz crítica

Se parte do grid enxergou avanços, Max Verstappen continua sendo um dos principais opositores do novo regulamento. O tetracampeão mundial já havia comparado os carros de 2026 a uma “Fórmula E com esteroides”, criticando o excesso de protagonismo do sistema híbrido.

Para Verstappen, o problema central permanece praticamente intacto: a necessidade constante de economizar energia compromete o estilo agressivo de pilotagem que marcou a Fórmula 1 por décadas. O neerlandês acredita que o excesso de gerenciamento eletrônico reduz a espontaneidade das disputas e torna algumas ultrapassagens excessivamente dependentes de cálculos estratégicos.


Max Verstappen tem adotado postura crítica ao atual regulamento (Foto: reprodução/Kym Illman/Getty Images Embed)


As críticas do piloto da Red Bull ganharam força nas últimas semanas justamente porque muitos fãs passaram a compartilhar preocupações semelhantes. Parte do público teme que a categoria esteja caminhando para um cenário em que eficiência energética se sobreponha ao espetáculo esportivo.

Mesmo com as recentes alterações promovidas pela FIA, Verstappen segue defendendo mudanças mais profundas. Entre elas, uma redução ainda maior da influência elétrica nos carros e maior liberdade para os pilotos explorarem o limite mecânico dos carros.

FIA adota cautela em projeto sustentável

O novo regulamento prevê carros mais eficientes energeticamente, motores com combustível totalmente sustentável e uma participação muito maior da potência elétrica nas unidades híbridas.

Ao mesmo tempo, a FIA tenta evitar que a categoria perca competitividade em nome da sustentabilidade. O desafio da entidade é equilibrar inovação tecnológica, segurança e entretenimento, sem afastar pilotos e fãs tradicionais.

As recentes alterações aprovadas antes do GP de Miami mostram justamente uma tentativa de resposta rápida às críticas. Ainda assim, os pilotos, engenheiros e chefes de equipe entendem que o processo de adaptação deve continuar ao longo da temporada.

A expectativa da FIA é que novas reuniões entre equipes e pilotos aconteçam nas próximas semanas para avaliar os dados coletados nas corridas recentes. Dependendo do comportamento dos carros nas próximas etapas, outras mudanças podem ser implementadas ao longo desta temporada.

Mais notícias