Nova era da beleza em Euphoria quando a maquiagem se torna estratégia
A nova fase de Euphoria traz um estilo mais maduro e estratégico, onde a maquiagem deixa a fantasia de lado para focar em um visual de autoproteção
A aguardada terceira temporada de Euphoria, que estreou em 12 de abril, traz uma transformação que vai muito além da evolução narrativa das personagens. Após um hiato de quatro anos e um salto temporal de cinco anos na história, a estética que consagrou a série como um fenômeno cultural passa por uma reformulação profunda. Se nos primeiros anos a beleza funcionava como um campo de exploração emocional e uma válvula de escape criativa, agora ela assume uma postura notavelmente mais prática e calculada.
Essa mudança de direção não é por acaso, sendo o reflexo direto de uma nova fase na vida das protagonistas, que agora encaram desafios mais maduros. O visual, que antes abraçava a fantasia lúdica sem restrições, amadurece para algo que a diretora de beleza da série, Donni Davy, define como um glamour selvagem. A essência de Euphoria permanece viva, mas a motivação por trás dos pincéis mudou, deixando de ser apenas sobre autodescoberta para se tornar uma ferramenta de sobrevivência e busca por independência financeira em um mundo cada vez mais exigente.
Do sonho ao realismo cinematográfico
A transição visual marca um rompimento claro com a estética minimalista que dominou o cenário da beleza nos últimos anos, posicionando-se como o oposto completo da tendência de pele natural e sem esforço, conhecida como clean girl. De acordo com Donni Davy, a ideia central foi abraçar um glamour tradicional, porém com a assinatura ousada e sem pedidos de desculpas que é marca registrada da produção. Ao buscar referências no brilho clássico de Hollywood, a equipe de maquiagem criou um impacto exuberante que conversa diretamente com a nova maturidade das personagens, agora distantes dos dilemas da época da escola.
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Euphoria makeup (Foto: reprodução/Instagram/@donni.davy)
Essa nova abordagem não significa o abandono total do brilho que se tornou símbolo da série, mas sim uma forma mais inteligente de usá-lo. Donni Davy explica que, embora o glitter continue presente, ele agora dialoga com uma visão criativa mais sóbria, que abandona o tom puramente experimental do passado. Em vez de uma maquiagem feita para a autoafirmação durante a juventude, o público encontra visuais focados em um resultado impactante e propositalmente marcante, que traduz o crescimento dessas mulheres diante das lentes.
A técnica por trás do brilho e das cores
A composição dos visuais nesta temporada também leva em conta aspectos técnicos que potencializam o resultado final, como a escolha de um tipo de filme específico que aumenta o contraste da câmera. Esse detalhe de produção faz com que elementos como sombra e contorno pareçam mais intensos ou até mesmo mudem sutilmente de tom sob a luz, criando uma atmosfera visualmente poderosa. A maquiagem precisa acompanhar essa dinâmica, resultando em um estilo que se destaca pela força, garantindo que o brilho e as cores ganhem o contorno cinematográfico que o criador Sam Levinson idealizou para esta fase.
Dentro dessa proposta, elementos marcantes retornam repaginados, como a linha d’água dos olhos bem definida, lábios com brilho metalizado e muito iluminador corporal. Um detalhe que chama a atenção é a aposta constante na sombra azul, um tom escolhido por carregar uma personalidade forte: ao mesmo tempo em que remete ao exagero, também evoca a imagem da mulher que se permite estar fora de controle ou que deseja ser notada pela sua ousadia. É, em última análise, um convite para observar como o drama e o brilho podem, sim, combinar com a maturidade, mantendo a série como uma referência máxima de estilo.
