Com voos cancelados, aeroportos enfrentam um verdadeiro caos
Ciclone extratropical causa ventos de até 98 km/h, cancela mais de 300 voos em SP, deixa 1,5 milhão sem energia e provoca uma morte em Campos do Jordão.
Os dois principais aeroportos de São Paulo têm voos afetados pelas fortes rajadas de vento que atingiram o estado devido a um ciclone extratropical que está atingindo o país.
O Aeroporto Internacional de Guarulhos e o Aeroporto de Congonhas somam pelo menos 344 voos cancelados entre quarta-feira (10) e a manhã de quinta (11). Só hoje, foram cancelados 100 voos. Com esse caos de cancelamentos, os dois aeroportos amanheceram com grandes filas no check-in e pessoas dormindo pelos cantos, aguardando a situação se normalizar.
Nesta manhã, o Aeroporto de Congonhas está aberto para pousos e decolagens, mas ainda enfrenta os danos causados pela ventania. Segundo a Aena, já são 31 chegadas e 15 partidas canceladas apenas hoje. Na quarta, o número foi ainda maior: 88 chegadas e 93 partidas suspensas. No total, os dois dias somam 227 voos cancelados só no aeroporto.
Em Guarulhos, o cenário é semelhante: 61 chegadas e 56 partidas canceladas desde ontem. Apesar disso, a GRU Airport afirma que a operação está normalizada.
Uma passageira, em entrevista à GloboNews, contou que tenta embarcar para o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, desde ontem, mas o voo foi remarcado para hoje, às 10h10; entretanto, foi cancelado novamente e não há previsão para um novo embarque.
Terminal 3 do aeroporto de Guarulhos (Foto: reprodução/ Paulo Fridman/Getty Images Embed)
Posicionamento das companhias aéreas
Em contato com a CNN, as companhias aéreas emitiram notas se posicionando sobre o que vem acontecendo nos aeroportos.
“Aos clientes impactados pelos atrasos e cancelamentos de ontem (10/12) que tenham disponibilidade para alterar seu voo, a mudança pode ser feita sem custos adicionais. A alteração é autorizada dentro da validade do bilhete, mantendo a mesma origem e destino, e não é necessário comparecer ao aeroporto para realizá-la”, afirmou a GOL.
Já a Latam disse que “lamenta os transtornos causados por essa situação totalmente alheia ao seu controle e reforça o compromisso com a segurança em todas as suas operações e decisões. O cliente de voo com origem, destino ou conexão em São Paulo que não foi cancelado entre 10 e 12 de dezembro também pode alterar a data da viagem sem custo até 15 dias depois”.
A Azul se posicionou da seguinte forma: “Os clientes com passagens emitidas para os dias 11 e 12 de dezembro poderão alterar suas viagens até o dia 18 de dezembro gratuitamente ou, ainda, se optarem pelo cancelamento do voo, manter o crédito integral do valor pago para utilizar em outra oportunidade, em até 1 ano a partir da data de emissão do bilhete.”

Pessoas dormindo no Aeroporto após terem seus voos cancelados (Foto: reprodução/Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo)
Outros estragos da ventania
Os fortes ventos, além de causarem cancelamentos de voos, também provocaram estragos pela capital e Região Metropolitana de São Paulo. A Grande São Paulo amanheceu com diversas áreas sem energia; por volta de 1,5 milhão de imóveis estavam sem eletricidade, sendo mais de 1 milhão só na capital paulista.
Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), 35 semáforos ainda estavam apagados por falta de energia, 20 apresentavam falhas e 5 estavam em amarelo piscante. Às 7h, a lentidão na cidade chegou a 203 km.
Além do impacto no trânsito, muitos parques permanecem fechados devido à falta de abastecimento de água causada pela interrupção de energia. A expectativa é que sejam reabertos ainda nesta tarde, conforme a situação de cada parque.
Vitima fatal
As fortes rajadas de vento trazidas pelo ciclone extratropical também deixaram uma vítima: após o deslizamento de um imóvel em Campos do Jordão (SP), um homem acabou perdendo a vida nesta quarta-feira.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os ventos duraram cerca de 12 horas, com rajadas que chegaram a 98 km/h. A Defesa Civil emitiu um alerta nesta segunda-feira para a população sobre os efeitos do ciclone. Um gabinete de crise foi montado para acompanhar o evento climático.
