Trump retoma uso de antigo Air Force One após dúvidas sobre segurança de novo jato

O presidente dos EUA trocou de avião em viagem, gerando dúvidas sobre a segurança e o custo do novo modelo doado pelo Catar, em meio a atrasos

09 jul, 2026
Donald Trump | Reprodução/Instagram/@apnews
Donald Trump | Reprodução/Instagram/@apnews

A recente viagem do presidente Donald Trump à Turquia trouxe à tona uma controvérsia que paira sobre a frota presidencial dos Estados Unidos. Em um movimento inesperado nesta quarta-feira (8), o líder americano optou por deixar o solo turco a bordo de um modelo clássico do Air Force One, abandonando momentaneamente a aeronave recém-reformada doada pelo Catar. A troca de jatos, realizada durante uma parada técnica no Reino Unido, reacendeu debates intensos sobre a segurança, os custos e a viabilidade da nova adição à frota de luxo que serve à Casa Branca.

A decisão de Trump de dividir sua jornada aérea foi justificada publicamente pelo próprio presidente. Através de sua conta na rede social Truth Social, Trump afirmou que a escolha de utilizar o antigo Boeing, marcado pela sua tradicional pintura em azul-claro, para o trecho entre Ancara e a base da RAF em Mildenhall, no Reino Unido, foi motivada por um sentimento de “saudosismo”. Enquanto isso, o novo jato, que apresenta um design diferenciado em vermelho, branco, azul escuro e dourado, seguiu em uma rota paralela para que militares americanos pudessem realizar uma inspeção na aeronave.

Contudo, a manobra não foi suficiente para abafar as críticas. O vídeo que flagrou o momento em que Trump embarca no jato doado pelo Catar, já em solo britânico, para seguir rumo a Washington, serviu apenas para reiterar a complexidade da integração desta aeronave às operações presidenciais. Esta foi a primeira viagem internacional de Trump no novo modelo, que tem servido como um substituto temporário frente aos sucessivos atrasos da Boeing na entrega da próxima geração de aviões oficiais.

Desafios na conversão e preocupações de segurança

O jato do Catar, um Boeing 747 modificado pela L3Harris Technologies, é alvo de questionamentos desde que sua aceitação foi confirmada. A transformação de uma aeronave comercial de luxo em um posto de comando aéreo presidencial não é uma tarefa trivial. Especialistas da área de aviação e defesa apontam que o processo exigiu uma série de atualizações críticas, incluindo reforços nos sistemas de segurança, blindagem contra comunicações clandestinas e a instalação de equipamentos de defesa antimísseis.

Parlamentares do Partido Democrata levantaram alertas severos sobre o custo total da operação, que estimam ter ultrapassado a cifra de US$ 1 bilhão. Mais do que o impacto financeiro, o foco das preocupações reside na segurança. A rapidez com que as modificações foram implementadas gerou temores de que a aeronave, embora adaptada, possa não alcançar o rigor técnico e os padrões de proteção encontrados no Air Force One tradicional.

A Força Aérea dos EUA, por sua vez, defende o projeto. O secretário da instituição, Troy Meink, assegurou que todos os requisitos foram avaliados minuciosamente. Segundo o comando, o esforço acelerado teve como objetivo suprir uma lacuna urgente, garantindo uma aeronave de transição enquanto a solução definitiva não chega.


Presidente dos EUA recusou o avião do Catar e voltou a usar antiga por “saudosismo” (Foto: reprodução/X/@CNNBrasil)


A sombra do atraso na Boeing

O contexto de toda essa troca de aeronaves é o atraso crônico enfrentado pela Boeing. Sob um contrato de preço fixo assinado em 2018, no valor de US$ 3,9 bilhões, a fabricante deveria entregar dois 747-8 totalmente personalizados. Entretanto, o programa acumula um atraso de quatro anos. Com a previsão de entrega remota para meados de 2028, paira a incerteza se Trump terá acesso aos novos modelos antes do término de seu mandato, em janeiro de 2029.

Enquanto isso, os custos do projeto da Boeing dispararam, superando a marca dos US$ 5 bilhões. O dilema presidencial, que oscila entre a nostalgia dos antigos jatos e as incertezas tecnológicas da nova frota, continua no centro do debate político. A viagem à Turquia, que deveria ser apenas um trajeto diplomático, tornou-se o palco onde a fragilidade do cronograma de renovação da frota presidencial se tornou, mais uma vez, evidente para o mundo. 

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