Sudeste concentra disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro nas eleições 2026

Pesquisas Quaest e Datafolha registram diferenças dentro da margem de erro entre os candidatos em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro

03 out, 2026
Lula e Flávio Bolsonaro | Reprodução/X/@Schneid3n/@republiqueBRA
Lula e Flávio Bolsonaro | Reprodução/X/@Schneid3n/@republiqueBRA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao primeiro turno deste domingo (4) em empate técnico no Sudeste, segundo pesquisas divulgadas na semana anterior. A região concentra 63,3 milhões de eleitores, equivalente a 40,1% do eleitorado nacional.

A Quaest, divulgada em 28 de setembro, mostra Flávio com 35% e Lula com 33% no Sudeste. A Datafolha, de 1º de outubro, apresenta Lula com 40% e Flávio com 39%. Em ambos os levantamentos, a diferença fica dentro da margem de erro, configurando empate técnico.

O Sudeste reúne os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ambos os candidatos concentraram esforços de campanha na região nas últimas semanas, reconhecendo sua importância na disputa presidencial.

Os números mostram uma tendência de aproximação entre os candidatos. A Quaest registra redução da distância entre eles: em 14 de setembro, a diferença era de 16 pontos percentuais; em 28 de setembro, caiu para 6 pontos. A convergência das pesquisas reflete um cenário mais competitivo.

Cenários por estado no Sudeste

Os levantamentos indicam dinâmicas distintas em cada um dos três maiores estados da região, com vantagens que variam conforme o instituto.

São Paulo

A Quaest, que entrevistou 1.800 pessoas entre 25 e 28 de setembro com margem de erro de 2 pontos percentuais, registra Flávio com 36% e Lula com 30%, uma vantagem de 6 pontos para o senador. A Datafolha, com 1.610 entrevistados entre 28 e 30 de setembro e mesma margem de erro de 2 pontos, mostra Flávio com 39% e Lula com 38%, ficando no limite do empate técnico.

Minas Gerais

A Quaest aponta Lula com 35% e Flávio com 31%, uma diferença de 4 pontos dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais. O levantamento ouviu 1.506 pessoas entre 25 e 28 de setembro. A Datafolha registra Lula com 42% e Flávio com 36%, uma vantagem de 6 pontos. Nessa pesquisa, foram entrevistadas 1.204 pessoas entre 28 de setembro e 1º de outubro, também com margem de erro de 2 pontos percentuais.

Rio de Janeiro

A Quaest mostra Flávio com 38% e Lula com 31%, conferindo ao senador uma vantagem de 7 pontos. A pesquisa ouviu 1.302 pessoas entre 25 e 28 de setembro, com margem de erro de 3 pontos percentuais. A Datafolha registra Flávio com 45% e Lula com 38%, ampliando a vantagem para 7 pontos. Foram 1.204 entrevistados entre 28 de setembro e 1º de outubro, com margem de erro de 2 pontos.

Segundo turno

Em um cenário de segundo turno entre Lula e Flávio, a Quaest aponta Flávio com 43% e Lula com 37% no Sudeste, uma diferença de 6 pontos. A Datafolha mostra Flávio com 48% e Lula com 45%, também dentro do empate técnico pela margem de erro.

Em São Paulo, a Quaest registra Flávio com 43% e Lula com 35% no segundo turno. A Datafolha apresenta Flávio com 48% e Lula com 45%. Em Minas Gerais, a Quaest mostra Lula com 41% e Flávio com 40%, em empate técnico. A Datafolha registra Lula com 48% e Flávio com 44%.

No Rio de Janeiro, a Quaest aponta Flávio com 44% e Lula com 34%, conferindo 10 pontos de vantagem ao senador. A Datafolha mostra Flávio com 51% e Lula com 42%, ampliando a diferença para 9 pontos.


Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: reprodução/ MAURO PIMENTEL, SERGIO LIMA/ Getty Images Embed)


Como o Sudeste votou em 2022

A comparação com a eleição anterior revela mudanças no cenário político regional. Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) venceu em São Paulo com 55,24% dos votos contra 44,76% de Lula. O estado era reduto de força para a direita.

Em Minas Gerais, o resultado foi mais disputado: Lula conseguiu 50,2% dos votos contra 49,8% de Bolsonaro, um margem de apenas 0,4 pontos percentuais. O estado, historicamente competitivo, mantém essa característica.

No Rio de Janeiro, Bolsonaro venceu com 56,53% dos votos contra 43,47% de Lula. No Espírito Santo, o ex-presidente também saiu vencedor com 58,04% contra 41,96% do atual presidente. A região Sudeste como um todo tinha bases sólidas para a direita na eleição anterior.

Grupos que podem definir a eleição

Dentro do eleitorado, dois segmentos merecem atenção especial pela capacidade de alterar dinâmicas: eleitores sem filiação partidária definida e aqueles que ainda consideram mudar de voto.

Os eleitores independentes representam parcela significativa do eleitorado. Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest:

“O jogo está nos independentes. Eles são de 24% a 36% do eleitorado nos estados e chegam ao pico no RJ (36%), no AM (35%) e em TO, RS e GO (33%)”.

Essa variação mostra que o Rio de Janeiro concentra a maior proporção de eleitores sem identificação clara com um campo político, o que amplia a incerteza sobre para onde seus votos se dirigirão.

Além dos independentes, há segmentos em dúvida. Em São Paulo, 20% dos eleitores ainda dizem que poderiam mudar de voto. Em Minas Gerais, esse percentual é de 19%. Essas proporções revelam um eleitorado em construção, não consolidado.

Sobre a consolidação de votos por campo político, Nunes observa:

“Lula vai além do próprio campo: em quase todos os estados, tem mais voto que a soma de lulistas e esquerda não lulista, sobretudo no NE. Flávio não consolida o seu em MG, GO, DF e SP, onde fica abaixo da soma da direita”.

Essa análise indica que Lula atrai eleitores fora do espectro de esquerda tradicional, enquanto Flávio não reúne integralmente o apoio da direita em alguns estados-chave. A dispersão de votos dentro de cada campo político abre margem para surpresas no resultado final.

Mais notícias