Aumento dos casos de sarampo reforça alerta para vacinação no Brasil
Manchas vermelhas pelo corpo, tosse seca, febre e coriza são sinais do sarampo, que pode evoluir para complicações graves em crianças
O aumento de casos de sarampo, especialmente no estado de São Paulo, acendeu novamente o alerta para a disseminação da doença, considerada erradicada no Brasil desde 2024.
Nas últimas semanas, o número de registros chegou a 23 no estado, levando o Ministério da Saúde a ampliar a recomendação da vacina contra o sarampo para pessoas de 6 meses a 59 anos, inclusive quem já havia sido imunizado em surtos anteriores.
Conforme divulgado pela BBC News Brasil, especialistas afirmam que o crescimento do movimento antivacina e da desinformação contribuiu para o avanço do sarampo em diversos países além do Brasil, como os Estados Unidos, por exemplo, que enfrentam o maior surto da doença registrado nos últimos 35 anos.
Altamente contagioso, o sarampo é transmitido de uma pessoa para outra pelo ar, por meio de tosse, espirro, fala ou respiração. De acordo com o Ministério da Saúde, uma pessoa infectada pela doença pode transmiti-la para até 90% das pessoas com quem tem contato e que não estejam imunizadas contra o vírus.
Diante do avanço da doença, especialistas reforçam que a vacinação é a principal medida para evitar as complicações provocadas pela doença, que podem levar à morte, especialmente de crianças.
Febre alta e manchas pelo corpo estão entre os sinais de alerta
A manifestação do sarampo costuma incluir febre superior a 38,5°C e o surgimento de manchas avermelhadas na pele. Tosse seca, conjuntivite e uma sensação intensa de mal-estar também podem acompanhar o quadro.

Febre alta é um dos sintomas do sarampo (Foto: reprodução/Pexels/Cottonbro Studio)
As lesões cutâneas tendem a aparecer de três a cinco dias depois dos primeiros sintomas. Inicialmente, elas são percebidas no rosto e na área atrás das orelhas e, posteriormente, avançam para outras partes do corpo.
Em entrevista ao g1, o médico infectologista Renato Kfouri explicou que o quadro costuma evoluir durante cerca de uma semana, período no qual é esperada a recuperação do paciente. A doença, porém, pode apresentar uma evolução mais grave em alguns casos.
A continuidade da febre após o aparecimento das manchas deve ser observada com atenção e pode indicar um quadro mais grave, principalmente quando o paciente é uma criança com menos de cinco anos.
Crianças pequenas e imunossuprimidos estão mais sujeitos a complicações
Em entrevista ao g1, o médico infectologista Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), destacou que crianças pequenas, sobretudo as que têm menos de um ano, e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos mais vulneráveis às formas graves do sarampo.
Criança infectada com sarampo recebe tratamento em Bangladesh (Foto: reprodução/NurPhoto/Getty Images Embed)
Segundo o Ministério da Saúde, entre uma e três a cada mil crianças que contraem o sarampo podem morrer em razão das complicações provocadas pela doença. O quadro também está relacionado a um número elevado de internações, principalmente entre crianças.
Pneumonia, otite média aguda e encefalite estão entre as consequências da forma grave da doença. Entre as crianças infectadas, a pneumonia aparece em aproximadamente um caso a cada 20 e é considerada pelo Ministério da Saúde a principal causa de morte relacionada ao sarampo entre crianças pequenas.
A otite média aguda, por sua vez, atinge cerca de uma em cada 10 crianças e pode provocar perda permanente da audição. Já a encefalite aguda é menos frequente e pode atingir de uma a quatro crianças a cada mil casos de sarampo. Entre as que desenvolvem essa complicação, a probabilidade de morte é cerca de 10%.
Os efeitos da infecção podem continuar mesmo após a recuperação. Em entrevista ao g1, Kfouri explicou que o sarampo provoca uma espécie de “amnésia imunológica”, deixando o organismo mais vulnerável a internações e a outras infecções por um período que pode variar de três a seis meses.
Esquema vacinal varia conforme a idade e a situação epidemiológica
A vacinação é a principal medida para prevenir o sarampo. Segundo o Ministério da Saúde, a imunização é indicada para pessoas de 12 meses a 59 anos. Pelo Calendário Nacional de Vacinação, a primeira dose da tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, deve ser aplicada aos 12 meses, seguida de uma segunda dose aos 15 meses.
Vacinação é a principal medida contra o sarampo (Foto: reprodução/AFP/Michael Dantas/Getty Images Embed)
Adolescentes e adultos que nunca receberam o imunizante ou não completaram o esquema previsto devem se vacinar conforme as orientações do calendário. Dos 5 aos 29 anos, a recomendação é de pelo menos duas doses; entre 30 e 59 anos, é indicada ao menos uma dose.
A definição da estratégia de imunização pode mudar de acordo com a situação epidemiológica de cada região. Em locais que enfrentam surtos, por exemplo, a vacinação pode ser indicada para crianças de 6 meses a menores de um ano, medida recomendada para Guarulhos, São Paulo e São Bernardo do Campo.
Em entrevista ao g1, Kfouri ressaltou que uma cobertura vacinal mais ampla dificulta a circulação do vírus. Com mais pessoas protegidas, o número de indivíduos suscetíveis à infecção diminui e, consequentemente, a transmissão da doença pode ser interrompida.
