Polícia Federal inclui Jaques Wagner e Augusto Lima na Compliance Zero

Apuração está focada em reunir elementos sobre supostos benefícios concedidos em troca de apoio a interesses ligados ao setor financeiro investigado

18 jun, 2026
Banco Master é o centro da operação | Reprodução/Agência Brasil/Rovena Rosa
Banco Master é o centro da operação | Reprodução/Agência Brasil/Rovena Rosa

A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (18) a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga um provável esquema de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master. O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e o ex-banqueiro Augusto Ferreira Lima, são os alvos investigados.

A polícia cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em endereços do Distrito Federal, São Paulo e Bahia, além de aplicar medidas cautelares, como restrições de contato entre os investigados e bloqueio de passaportes.

Polícia apura vantagens

A nova etapa da operação está focada em analisar a relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima, citado pelos investigadores como aliado do grupo ligado ao Banco Master. A Polícia Federal afirma que é suspeito de participar de propostas de interesse da instituição financeira no Congresso Nacional.

Alguns dos temas analisados são uma emenda do Fundo Garantidor de Créditos e uma proposta de ampliação do crédito consignado. A investigação aponta que o parlamentar é suspeito de participar de atividades para apoiar medidas estratégicas para o banco.

Por outro lado, a PF apura o recebimento de supostas vantagens indevidas, como a aquisição de um imóvel de alto padrão em Salvador, e repasses gerados por empresas que possuem relação com a família do senador.


PF continua investigações envolvendo o Banco Master (Foto: reprodução/X/@infomoney)


A defesa de Jaques Wagner ainda não se pronunciou sobre a situação. Já os representantes de Augusto Lima disseram que o ex-banqueiro sempre trabalhou de forma legal e que ele está disposto a prestar esclarecimentos.

Operação amplia alcance

Criada em 2025, a Operação Compliance Zero apura possíveis ações ilegais envolvendo o Banco Master e pessoas que têm relação com a instituição financeira. Dividida em diferentes fases, a operação começou a incluir suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e uso indevido de informações sigilosas.

Nessa nova etapa, além de pessoas físicas, empresas ligadas aos envolvidos também estão entre os alvos investigados. A PF afirma que os fatos analisados podem ter características de crimes como corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

As apurações citam empresários, operadores financeiros, familiares dos investigados e agentes públicos. Políticos e autoridades também foram mencionados em fases anteriores da operação. Todos os envolvidos mencionados no processo negam participação no esquema, e a Polícia Federal ainda está juntando informações para aprofundar a apuração do caso.

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