ONU discute uso da força para reabrir estreito de Ormuz

Bahrein propõe ação no Conselho de Segurança para proteger navegação no estreito de Ormuz contra ataques do Irã mas enfrenta resistência de China e França

03 abr, 2026
Conselho de Segurança da ONU | Reprodução/ONU/Paulo Filgueiras
Conselho de Segurança da ONU | Reprodução/ONU/Paulo Filgueiras

O conselho de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), pode abrir nesta sexta-feira ( 3), uma votação para permitir o uso de força no estreito de Ormuz em razão de proteger navegação comercial na região. A resolução do Bahrein vem diante de ameaças do Irã para fechar o trecho marítimo.

O pedido prevê que os países tenham o direito de usar “todos os meios necessários” para manter aberta a rota das navegações comerciais. Porém, China, França e Rússia, que possuem poder de veto por serem membros permanentes do conselho, se posicionaram contra o uso da força na região. Assim, há duvidas do texto ser aprovado

No Conselho de Segurança, uma resolução precisa obter pelo menos nove votos favoráveis. Além disso, não pode ser vetada por nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China.

Tensão na ONU em torno da proposta

A proposta foi apresentada pelo Bahrein, um dos países que sofrem ataques cotidianos em retaliação ao Irã. No momento, Não há horário previsto para a votação, mas o chanceler do Irã já se pronunciou.


Sede da ONU (Foto: reprodução/Jose A. Bernat Bacete/Getty Images Embed)


Segundo o representante iraniano, caso a proposta seja aprovada, será considerada uma “ação provocativa”: “Qualquer ação provocativa por parte dos agressores e seus apoiadores, inclusive no Conselho de Segurança da ONU, em relação à situação no Estreito de Ormuz, só irá complicar ainda mais a situação”, afirmou o chanceler.

O estreito de Ormuz fica na costa do Irã e é um dos canais marítimos mais usados em rotas comerciais do mundo, principalmente para o transporte de petróleo. Nesse sentido, estima-se que cerca de 20% do petróleo e gás do mundo passem por ele, vindo de países produtores no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Catar.

Nesse sentido, o estreito de Ormuz é um ponto central na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que controla a maior parte do canal e tem atacado navios que transitam pelo local. Esta crise tem elevado os preços do barril de petróleo, que alcançou o valor histórico de US$ 109 na última quinta-feira (2).

Repercussão da resolução

Diplomatas afirmam que o Bahrein, atual presidente do Conselho de Segurança da ONU, sugeriu o texto. Segundo a proposta, a aplicação das medidas deve ocorrer por pelo menos seis meses.

O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, disse que a “tentativa ilegal e injustificada” do Irã de controlar a navegação no estreito ameaça interesses globais. Exige também uma “resposta decisiva”. Segundo o ministro, o país teria atacado estruturas civis, incluindo aeroportos e portos.

Entretanto, a proposta sofre forte resistência. De acordo com o enviado da China à ONU, Fu Cong, autorizar contra-ataques “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força” e escalaria as tensões com “graves consequências”. Já o presidente da França, Emmanuel Macron, também criticou a ideia do uso da força para reabrir o estreito. O francês classificou a proposta como ‘irrealista’ e alerta para os riscos de ataques e a presença das forças da Guarda Revolucionária iraniana com mísseis na região.

Os Estados Unidos afirmam que manterão os ataques. No entanto, não há um plano claro para reabrir o estreito de Ormuz, o que tem elevado ainda mais os preços do petróleo e tem aumentado as preocupações sobre a segurança da navegação internacional.

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