OMM emite alerta sobre o fenômeno El Niño 2026

Fenômeno pode alterar o regime de chuvas e elevar risco de eventos extremos no planeta

01 ago, 2026
Fenômeno El Niño I Reprodução/Agencia Brasil/@Prefeitura de São Lourenço do Sul
Fenômeno El Niño I Reprodução/Agencia Brasil/@Prefeitura de São Lourenço do Sul

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê que o fenômeno El Niño deve se intensificar entre agosto e outubro, favorecendo o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A expectativa é de que algumas regiões registrem chuvas acima da média, enquanto outras se tornem mais suscetíveis a secas, enchentes e incêndios florestais.

O episódio mais recente começou a se desenvolver em 2023, atingiu seu pico entre o fim daquele ano e o início de 2024 e perdeu intensidade ao longo dos meses seguintes.

Entenda: El Niño

O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre quando as águas das regiões central e leste do Oceano Pacífico Equatorial permanecem mais quentes do que o normal por vários meses. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e da atmosfera, provocando mudanças nos padrões climáticos em diferentes partes do mundo.

Os efeitos do fenômeno variam conforme a região, podendo influenciar o volume de chuvas, favorecer períodos de seca e até aumentar a frequência de eventos climáticos extremos.


Seca severa associada ao fenômeno El Niño (Foto: reprodução/Getty Imagens Embed/@JHOJAN HILARION)


Em condições normais, os ventos alísios sopram de leste para oeste, empurrando as águas mais quentes em direção à Ásia e à Oceania. Como consequência, na costa oeste da América do Sul, águas frias e ricas em nutrientes sobem à superfície em um processo conhecido como ressurgência. Esse mecanismo é fundamental para o equilíbrio do ecossistema marinho e para a atividade pesqueira em diversos países da região.

Durante o El Niño, os ventos alísios enfraquecem ou, em alguns casos, chegam a inverter sua direção. Com isso, as águas quentes avançam para as regiões central e leste do Oceano Pacífico, reduzindo a intensidade da ressurgência. Essa mudança interfere na formação de nuvens, altera a circulação atmosférica e modifica o regime de chuvas em diferentes partes do planeta.

Enquanto algumas regiões passam a registrar precipitações acima da média, outras enfrentam períodos mais prolongados de estiagem, o que favorece a ocorrência de secas e aumenta o risco de incêndios florestais.

Alerta meteorológico

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada das Nações Unidas, o fenômeno deve continuar se fortalecendo e poderá atingir alta intensidade entre agosto e outubro de 2026.

Ainda de acordo com a organização, os próximos meses deverão ser marcados por temperaturas acima da média em grande parte do planeta. No entanto, os impactos sobre o regime de chuvas não serão uniformes. Algumas regiões poderão registrar precipitações acima da média, aumentando o risco de enchentes e deslizamentos, enquanto outras terão maior probabilidade de enfrentar estiagens prolongadas, o que pode comprometer o abastecimento de água.

As projeções indicam ainda que, em algumas áreas do Oceano Pacífico, a temperatura da superfície do mar poderá ficar até 2,9°C acima da média, intensificando os efeitos característicos do fenômeno e influenciando o comportamento da atmosfera em escala global.


Chuvas intensas provocadas pelo El Niño (Foto: reprodução/Getty Imagens Embed/@David McNew)


Além da intensificação do El Niño, a OMM também prevê a formação de um Dipolo Positivo do Oceano Índico. Esse fenômeno ocorre quando as águas da porção oeste do oceano ficam mais quentes do que o normal, enquanto a região leste apresenta temperaturas abaixo da média. Essa diferença térmica modifica a circulação atmosférica sobre o Oceano Índico e pode reforçar os efeitos do El Niño em algumas regiões, contribuindo para mudanças ainda mais expressivas nos padrões de chuva e temperatura.

Diante desse cenário, a organização informou que está ampliando a coordenação internacional, fortalecendo os serviços de informação climática e expandindo os sistemas de alerta precoce. O objetivo é apoiar governos, agências humanitárias e comunidades mais vulneráveis na preparação para os impactos provocados por eventos climáticos extremos.

A Organização Meteorológica Mundial informou ainda que divulgará, no início de setembro, uma atualização mais detalhada sobre a evolução do El Niño e da La Niña, com novas projeções para os próximos meses. A expectativa é que esses dados ajudem a orientar governos e instituições na adoção de estratégias de prevenção e resposta diante dos impactos provocados pelos fenômenos climáticos.

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