Morre Manoel Carlos, autor de clássicos da teledramaturgia brasileira, aos 92 anos
Roteirista marcou gerações com novelas centradas em relações familiares e personagens femininas; obras como Por Amor e Laços de Família entraram para a história da TV
O roteirista e dramaturgo Manoel Carlos morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Um dos nomes mais influentes da teledramaturgia brasileira, ele estava afastado da vida pública nos últimos anos por problemas de saúde. Foi diagnosticado com Doença de Parkinson e estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana. A informação foi confirmada por familiares.
Reconhecido por narrativas intimistas e pela criação de personagens femininas fortes, Manoel Carlos construiu uma carreira que atravessou décadas e ajudou a moldar a linguagem das novelas brasileiras exibidas no horário nobre.
Carreira marcada por histórias do cotidiano
Natural do Rio de Janeiro, Manoel Carlos iniciou a trajetória artística no teatro e no rádio antes de se consolidar como autor de televisão. Foi a partir da década de 1980 que seu nome passou a ganhar projeção nacional, especialmente em produções exibidas pela TV Globo. ”Maneco”, como era carinhosamente chamado, ingressou na Globo em 1972 para atuar como diretor-geral do Fantástico, mas já tinha passagens por Excelsior e Record. Nos anos posteriores, chegou a fazer parte da Manchete e Band.
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Postagem sobre morte de Manoel Carlos (Foto: reprodução/Instagram/@lorenamagazine)
Como autor de telenovelas, seu estilo ficou conhecido pelo foco em conflitos familiares, dilemas morais e relações afetivas, sempre ambientados em cenários urbanos reconhecíveis pelo público. O autor também se destacou pelo ritmo mais pausado e pelos diálogos extensos, marca registrada de suas obras.
Novelas que entraram para a história
Entre seus trabalhos mais lembrados estão “Por Amor” (1997), “Laços de Família” (2000), “Mulheres Apaixonadas” (2003) e ”Páginas da Vida” (2006), todas centradas em personagens femininas chamadas Helena — recurso recorrente em sua dramaturgia. ”Em Família” foi sua última telenovela escrita e exibida na TV aberta, pela Globo, em 2014.
Essas produções abordaram temas como maternidade, ética, violência doméstica, envelhecimento e relações amorosas, gerando debates que extrapolaram a ficção e alcançaram o cotidiano dos telespectadores.
Reconhecimento e influência
Ao longo da carreira, Manoel Carlos recebeu prêmios e homenagens por sua contribuição à cultura brasileira. Seu trabalho influenciou gerações de roteiristas e ajudou a consolidar um modelo de novela mais realista, voltado para questões humanas e sociais.
Colegas de profissão frequentemente destacavam seu rigor com texto, sua atenção aos detalhes emocionais e a defesa de personagens femininas complexas, longe de estereótipos simplificados.
Repercussão e despedida
A morte do autor provocou manifestações de pesar no meio artístico. Atores, diretores e escritores usaram as redes sociais para lembrar a importância de Manoel Carlos na formação da dramaturgia nacional.
A família informou que o velório e o sepultamento ocorrerão em cerimônia reservada, com detalhes a serem divulgados posteriormente.
Um legado duradouro
Mesmo afastado da televisão nos últimos anos, Manoel Carlos segue presente na memória do público por meio das reprises de suas novelas e da influência que exerceu sobre a narrativa televisiva brasileira. Suas histórias continuam a ser estudadas e debatidas como referência de construção dramática e sensibilidade narrativa. Maneco tem duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a também roteirista de novelas Maria Carolina.
