Mendonça autoriza PF a apurar suposto tráfico de influência de Lulinha na Dataprev
Ministro sorteado como relator também autorizou inquérito anterior sobre atuação do filho de Lula no Ministério da Saúde
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou na última sexta-feira (31) uma nova investigação da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por eventual atuação para beneficiar empresários em contratos da Dataprev. A PF vai apurar se ele cometeu corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa.
A Dataprev é uma empresa pública responsável pela gestão de dados sociais do governo federal, gerenciando especialmente o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A empresa é central na administração de benefícios previdenciários do país.
Segundo inquérito contra Lulinha
Esta é a segunda investigação autorizada por Mendonça em poucos dias. Na última quinta-feira (30), o ministro já havia autorizado a abertura de outro inquérito para investigar Lulinha, desta vez sobre sua atuação no Ministério da Saúde. Mendonça foi sorteado para ser relator de ambos os casos.
No primeiro inquérito, a Polícia Federal suspeita que Lulinha e Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, tenham tido negócios na área de cannabis medicinal. Um lobista tentou fechar contrato milionário com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025 para vender canabidiol. O contrato não foi fechado.
Careca do INSS é apontado como um dos principais responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões, conforme investigações da Polícia Federal na Operação Sem Desconto.
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Lulinha (Foto: reprodução/Instagram/@the.news.cc)
Defesa nega irregularidades
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, chamou a decisão de lamentável e afirmou que não há nenhum fato que justifique a abertura do inquérito. Segundo Carvalho, a Polícia Federal segue empreendendo esforços para tentar interferir no processo eleitoral. “A Polícia Federal segue empreendendo esforços na perspectiva de tentar interferir no processo eleitoral. É absolutamente lamentável.”
Carvalho caracterizou a investigação como fishing expedition, ou pesca probatória. Afirmou que: “Isso é fishing expedition, pesca probatória, e nos remete ao que houve de pior no nosso sistema de justiça.”
Segundo a defesa, a PF não achou nada no INSS e agora vai procurar em outro lugar. Carvalho reiterou que Lulinha não tem relação direta ou indireta com a instituição: “É mais do mesmo, tentativa e erro. É a velha estratégia de criar um factóide. Isso é fishing expedition, pesca probatória.”
Carvalho também declarou que Lulinha nunca trabalhou com Antônio Camilo e que a viagem realizada a Portugal não rendeu contrato de forma direta ou indireta. A viagem foi feita para conhecer uma fábrica de medicamentos de canabidiol, conforme a defesa, a convite de Camilo.
Rede de atores no caso de cannabis
A investigação apura a atuação de diversos personagens. Lulinha é suspeito de ter atuado para que Careca fosse recebido no Ministério da Saúde. Roberta Luchsinger foi contratada por um lobista para prospectar negócios de cannabis medicinal e atuava em favor da empresa World Cannabis, que pertencia ao Careca.
No início de 2025, Careca do INSS foi recebido no Ministério da Saúde por Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que era secretário-executivo, o número 2 da pasta. Berger saiu do ministério em 2025 e virou chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente. A PF investiga possível tráfico de influência tanto no Ministério da Saúde como no gabinete presidencial.
Berger afirmou que a agenda ocorreu conforme as atribuições de sua função à época: “a agenda [com o Careca] ocorreu conforme as atribuições da sua função à época, sem que tenha havido qualquer tipo de ‘orientação’ para a sua realização”.
Segundo Berger, o ministério não teve interesse em adquirir qualquer produto ou serviço da empresa e o encontro não teve desdobramento, o que evidencia, conforme sua versão, uma condução técnica.
O Ministério da Saúde informou que não tem nem nunca teve contrato com a World Cannabis ou com acionistas citados. Dessa maneira, segundo a pasta, nunca fez nenhum repasse de recursos públicos a eles.
