Lula vota em São Bernardo do Campo e critica venda de armas e milicianos: ‘Brasil não vai para frente’
Presidente declarou otimismo na votação e pediu reforma do STF com mandatos limitados para ministros
Luiz Inácio Lula da Silva compareceu à votação no domingo (4) na escola estadual João Firmino, bairro Assunção, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Logo após depositar seu voto, o presidente expressou confiança no resultado eleitoral e dirigiu críticas à venda de armas e à atuação de milicianos.
Lula chegou acompanhado de Geraldo Alckmin, vice-presidente, Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, Marina Silva e Simone Tebet, candidatas ao Senado, além de Alexandre Padilha, ministro da Saúde. A escolha do ABC Paulista para votação tem peso político: segundo o G1, na eleição presidencial anterior, Lula recebeu 44,8% dos votos válidos em São Paulo contra 55,2% de Jair Bolsonaro, diferença de 2,7 milhões de votos.
Segurança e perspectiva
Após votar, Lula afirmou estar seguro sobre o pleito. “Hoje é um dia glorioso para o país. Uma página virada. Estou confiante na vitória e certo de que temos participação em nível nacional. Estou certo de que podemos ganhar as eleições”, disse, segundo o G1.
O presidente pediu que os eleitores considerem o futuro nas urnas. “As pessoas têm que votar pensando no Brasil, nos filhos, nos netos, no futuro que vão deixar”, afirmou.
Lula fez balanço do próprio governo, reconhecendo ganhos e limitações. “Estou confiante no governo que fizemos. Confiante de que fizemos muito no governo e de que temos que fazer muito ainda. São 500 anos de atraso, e precisa de tempo para consertar”, declarou.
Ao enumerar realizações, mencionou recuperação da inflação e transformações na educação. “Conseguimos recuperar o Brasil, melhorar a inflação, fizemos uma revolução na educação do país, mas ainda falta muito para que o Brasil tenha certeza de que seu futuro está garantido”, observou conforme registro do G1.
Crítica ao financiamento do crime e ao Banco Master
Lula atacou a distribuição de armamentos e criminosos. “O Brasil não vai para a frente com venda de armas, mas com distribuição de livros. Não vai para a frente com milicianos, com orgia em torno do Banco Master, vai com o caráter dos seus governantes”, afirmou.
Lula também mostrou confiança nas candidaturas de Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet no estado, lembrando que São Paulo raramente teria a oportunidade de escolher mulheres com essa trajetória.
Lula vota em São Bernardo do Campo e critica venda de armas e milicianos (Vídeo: reprodução/YouTube/Itatiaia)
Reforma institucional da Suprema Corte
O presidente criticou o que chamou de “promiscuidade” nas instituições e manifestou intenção de reformar o processo de seleção de ministros do Supremo Tribunal Federal. Na avaliação de Lula, é preciso estabelecer limites de tempo para os mandatos e criar mecanismo de deliberação coletiva sobre futuras indicações.
Segundo ele, pretende definir um período de mandato para os integrantes da Corte e constituir conselho para discutir próximas nomeações. “A primeira reforma fui eu que fiz. Quero fazer uma nova reforma e definir o tempo de mandato da Suprema Corte, que quem for [para lá] não é para ser rico. Quero montar um conselho para quem vai para a Suprema Corte. Acho que a Suprema Corte precisa de mais mulheres”, declarou conforme apurado pelo G1.
Essas propostas integram um debate mais amplo sobre a estrutura do Poder Judiciário. Caso reeleito, Lula teria oportunidade de indicar pelo menos três ministros adicionais da Suprema Corte.
O contexto político traz desafios ao governo. O ministro André Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar suposto tráfico de influência envolvendo Fábio Luís da Silva, filho do presidente, no Ministério da Saúde e na Dataprev. Jaques Wagner foi removido da liderança governamental no Senado após ser atingido pela Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.
No campo econômico-social, o governo aprovou reforma tributária no Congresso e ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda. O país saiu do Mapa da Fome e programas de habitação e transferência de renda foram expandidos.
Lula enfrentou reflexos de crises externas, como conflitos no Oriente Médio e políticas tarifárias dos Estados Unidos. Foi alvo de críticas por sua estratégia econômica, marcada por expansão de gastos e confronto com o Banco Central sobre a taxa de juros. Sofreu reveses no Congresso, incluindo a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias para o STF.
