Lula avalia aplicar reciprocidade aos EUA caso não haja negociação do tarifaço
Presidente está em solo americano para se encontrar com autoridades e participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU)
Nesta segunda-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a postura do chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, nas questões voltadas à política externa. Para o petista, o republicano “age como um imperador” por meio da “lei do mais forte”.
Lula ainda afirmou que, caso as negociações sobre o tarifaço não sejam bem-sucedidas, uma reciprocidade aos norte-americanos não está descartada.
Possível reciprocidade
Durante entrevista concedida no início desta semana, Lula declarou que discorda das medidas adotadas por Trump. “Ele age como imperador. É um jeito de governar que eu não concordo. Quando você diz: ‘Eu sou forte, eu sou o maior, eu sou o mais rico, eu posso tudo e o restante tem que obedecer’… É a chamada a lei do mais forte, eu não concordo com esse tipo de lei”, afirmou o presidente.
Mesmo discordando das políticas do líder americano, o petista afirmou que não medirá esforços para negociar as tarifas impostas sobre produtos brasileiros. Lula mencionou que o Brasil possui um déficit na balança comercial com os EUA, motivo esse que levou o presidente a tratar como “injustas” as tarifas contra exportações brasileiras.
Lula está nos EUA para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente fará o pronunciamento principal da reunião na próxima terça-feira (22).
Lula e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, trocam camisas nos EUA (Vídeo: reprodução/YouTube/@otempo)
Diálogo com os EUA
Lula ainda declarou que não tem uma guerra comercial contra os EUA como objetivo. “Eu não pretendo entrar em guerra tarifária nem com os EUA e nem com ninguém, eu quero negociar, eu sou de negociação, nasci na vida sindical aprendendo a negociar, então vou tentar todo esforço que tiver ao alcance de um ser humano para tentar negociar”, afirmou.
A tensão entre os governos americano e brasileiro foi elevada após a imposição de sobretaxas de exportações que chegam até 37,5%. Desses, 25% estão ancorados na seção 301 da Lei de Comércio americana, além de 12,5% sob a alegação de fiscalização errônea de trabalho forçado.
