Ibovespa cai pela 10ª vez seguida após saída de capital estrangeiro
Mais de R$15 bilhões deixaram a Ibovespa nos primeiros dias de agosto; queda ocorre junto ao aumento de incertezas no cenário econômico
O Ibovespa encerrou a sessão da última segunda-feira, 17, com baixa de 0,09%, a 166.783,57 pontos. Essa é a 10ª queda consecutiva, em meio ao aumento da retirada de recursos por investidores estrangeiros, especialmente nos primeiros dias de agosto, quando mais de R$15 bilhões deixaram o mercado.
O acúmulo das quedas em dólar, no mês de agosto, é de 8,54% e coloca o Brasil como o segundo pior desempenho entre 21 bolsas monitoradas pela Elos Ayta, ficando atrás apenas do Merval, bolsa argentina, que acumula queda de 10,47% no período.
Apesar da queda do principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o recuo foi considerado leve. As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) ajudaram a equilibrar as perdas, em um dia marcado ainda pela queda de 33,33% das ações da Casas Bahia, pela alta dos preços do petróleo e por indicadores econômicos.
O dólar também terminou o dia em baixa de 0,36%, cotado a R$5,20. O cenário atual contrasta com os primeiros meses do ano, quando o mercado brasileiro registrou forte procura por parte de investidores internacionais.
Incertezas aumentam pressão sobre investimentos
Janeiro foi marcado por uma entrada recorde de capital estrangeiro na Bolsa. Mesmo com o início da guerra do Irã, em fevereiro, o mercado brasileiro continuou atraindo recursos externos. O primeiro resultado negativo apareceu em maio, enquanto a saída de investimentos se intensificou no início de agosto, superando R$15 bilhões.
Para economistas, o aumento da instabilidade está relacionado ao cenário de incertezas que envolve tanto o Brasil quanto o exterior. Entre os fatores apontados estão as preocupações com a situação fiscal brasileira, os desdobramentos da guerra do Irã e as taxas de juros dos Estados Unidos e do Japão, que podem tornar esses mercados mais atrativos para quem busca maior segurança e rentabilidade.
Ibovespa cai pela 10° vez consecutiva em 2026 (Foto: reprodução/Getty Images Embed/NurPhoto)
O nível elevado dos juros brasileiros também influencia a decisão dos investidores. Em entrevista concedida ao Jornal Nacional, o economista-chefe da Garantia Capital, André Perfeito, afirmou que a expectativa de uma redução mais rápida da taxa de juros tornava a Bolsa uma opção mais interessante no começo de 2026.
De acordo com o economista, a saída de recursos estrangeiros não é uma particularidade do Brasil, mas o movimento ganhou força no país devido à manutenção da taxa básica de juros em um nível elevado e à falta de perspectivas para uma redução mais expressiva da Selic.
Saldo estrangeiro ainda é positivo no ano
Apesar da sequência de retiradas, o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira permanece positivo em 2026. O saldo acumulado supera R$ 25 bilhões, enquanto os investimentos internacionais ainda representam mais da metade das movimentações do mercado.
Fluxo de capital estrangeiro permanece positivo na Ibovespa (Foto: reprodução/Getty Images Embed/NurPhoto)
Para a economista da Warren Investimentos, Andrea Angelo, em entrevista concedida ao Jornal Nacional, o comportamento dos investidores indica mais cautela diante das perspectivas para a economia brasileira do que uma perda de confiança no país.
A economista avalia que a retomada da entrada de recursos depende de sinais de maior equilíbrio nas contas públicas e de uma atuação coordenada entre a política fiscal e o Banco Central.
Na avaliação dela, a perspectiva de continuidade da redução da Selic, acompanhada de ajustes nas contas públicas, pode aumentar a confiança dos investidores estrangeiros e favorecer o retorno do capital ao mercado brasileiro.
