Governo Trump transfere US$ 52 milhões em ajuda militar para América Latina
Mudança de destinação gera reação no Congresso americano e parlamentares questionam uso dos recursos; governo defende nova prioridade estratégica na região
O governo de Donald Trump decidiu enviar US$ 52 milhões em assistência militar que iriam ser encaminhados a países da Europa e do Oriente Médio para Panamá, Peru, Equador e Colômbia. O Departamento de Estado ao Congresso informou sobre a mudança em setembro e o The Washington Post afirma que a decisão prosseguiu mesmo após parlamentares democratas tentarem impedir a transferência dos recursos.
O governo americano justificou que a medida foi adotada para fortalecer parcerias de segurança e aumentar a atuação dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.
Verba muda de destino
Os recursos seriam antes enviados para Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque. A verba fazia parte de um programa aprovado pelo Congresso em 2022, no início da guerra na Ucrânia, para apoiar países afetados pelo conflito e incentivar governos a adquirir equipamentos militares dos Estados Unidos em vez de manter relações comerciais de defesa com a Rússia.
Em setembro, o Departamento de Estado avisou os parlamentares sobre a intenção de mudar o destino de parte do dinheiro. A senadora Jeanne Shaheen e o deputado Gregory Meeks, ambos democratas e líderes de comissões de política externa, tentaram bloquear a transferência.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Foto: reprodução/Getty Images/Kevin Dietsch)
Mesmo com os parlamentares se opondo a decisão, o governo informou em 30 de setembro que manteria o plano. Três autoridades americanas ouvidas pelo Washington Post afirmaram que os recursos seriam destinados aos quatro países latino-americanos.
Shaheen e Meeks também questionaram a mudança em uma carta enviada ao secretário de Estado, Marco Rubio. Os parlamentares afirmaram que a ação desrespeitaria o bloqueio aplicado por eles e as regras estabelecidas para o uso dos recursos.
Washington prioriza região
O Departamento de Estado afirmou ao jornal que a transferência está seguindo a estratégia de priorizar o Hemisfério Ocidental. A pasta relata que os valores destinados à América Latina serão utilizados no combate ao narcoterrorismo, no fortalecimento de parcerias de segurança e na proteção do Canal do Panamá.
O governo americano também declarou que a medida quer conter a influência militar de adversários na região. A decisão acontece em um momento de aproximação com Panamá, Peru, Equador e Colômbia, países citados pelo governo como aliados nas ações de segurança.
Peru, Equador e Colômbia passaram por mudanças de governo, com a eleição de candidatos de direita, e anunciaram medidas que visam o combate ao narcotráfico. Já a relação com o Panamá estava em um momento delicado depois que Trump ameaçou assumir o controle do Canal do Panamá. No começo de 2026, o governo panamenho declarou o fim da crise entre os dois países.
A transferência dos recursos trouxe questionamentos no Congresso americano sobre a chance de utilizar a verba para uma finalidade diferente daquela definida quando o dinheiro foi aprovado. Shaheen e Meeks disseram que o Poder Executivo não teria liberdade para redirecionar os valores para outros países sem relação com o objetivo estabelecido antes.
