Epidemia de Ebola provoca mortes e desafia combate no Congo
Hospitais enfrentam falta de espaço para tratar o vírus enquanto sobreviventes ajudam as equipes médicas; violência e desconfiança dificultam atendimento
O governo da República Democrática do Congo informou na segunda feira (28), que a epidemia de ebola no país passou de 8 mil casos confirmados e já causou 3.901 mortes. O surto, que começou em maio, virou o maior e mais letal já registrado no país e deixou sobreviventes que passaram por perdas familiares, traumas e dificuldades que persistem mesmo depois da recuperação.
Surto sobrecarrega atendimento
A doença é causada pela cepa Bundibugyo e tem a província de Kivu do Norte como um dos principais locais. A região registrou mais de 1.300 casos e apresentou taxa de letalidade maior que 62%. Em Ituri, onde a transmissão começou a baixar, o índice está próximo de 45%.
A situação também trouxe pressão para os centros de atendimento. Em Kitatumba, na cidade de Butembo, a ocupação das instalações fez com que lugares destinados antes a casos suspeitos começassem a receber pacientes confirmados. Centros de trânsito também foram usados para atender pessoas infectadas devido a falta de leitos.
🦠😷 Surto de Ebola no Congo ultrapassa 8 mil casos e 3,9 mil mortes
☠️ O número de casos confirmados de Ebola na República Democrática do Congo chegou a 8.067, segundo dados divulgados pelo governo nesta segunda-feira (28). O surto já provocou 3.901 mortes e se tornou o maior e… pic.twitter.com/4HmoGkvDP4
— Sputnik Brasil (@sputnik_brasil) September 28, 2026
Epidemia de Ebola causa mortes no Congo (Foto: reprodução/X/@sputnik_brasil)
A violência presente no país traz ainda mais dificuldade para controlar a epidemia. O conflito prejudica o acesso às comunidades, bloqueia o deslocamento de profissionais e suprimentos e interfere no trabalho de rastreamento de contatos. Ataques contra hospitais e equipes de saúde também colocam em risco quem está tratando a doença.
Sobreviventes ajudam no combate
Além das mortes, o surto também deixou muitas crianças órfãs e causou a separação de famílias. Entre os casos repercutidos está o de um bebê que sobreviveu ao vírus depois de perder a mãe durante o parto e o pai alguns dias depois. Outra menina conseguiu se recuperar depois do falecimento de todos os familiares.
Alguns sobreviventes começaram a ajudar as equipes que cuidam do atendimento. Uma estudante de medicina que contraiu o ebola ficou em uma creche que acolhe crianças afetadas pela epidemia. Após a experiência da internação, ela afirmou que teve medo de morrer e que presenciar a morte de outras pessoas a impactou.
Outro sobrevivente, que perdeu 12 parentes para a doença, procurou atendimento quando apresentou sintomas e iniciou o tratamento depois de receber o diagnóstico. Ele passou a trabalhar nos centros de tratamento depois que se recuperou. A imunidade adquirida após a infecção permite que ele colabore no cuidado dos pacientes e reduza a exposição dos profissionais de saúde.
O receio em relação aos centros de tratamento continua dificultando a resposta. A falta de confiança e informações faz com que algumas pessoas adiem a procura por atendimento e familiares tentem cuidar os doentes dentro de casa, aumentando o risco de transmissão. A MSF afirma que a presença da doença em áreas urbanas muito povoadas e o baixo engajamento da comunidade no início da resposta também deixaram o controle do surto mais difícil.
