Adeus ao Megadeth: fúria, clássicos e uma despedida inesquecível no Brasil

Em apresentação única da turnê final, a lenda do thrash metal entregou repertório impecável e comemorou a conexão com o público brasileiro

04 maio, 2026
Megadeth | Reprodução/ Instagram/ @megadeth
Megadeth | Reprodução/ Instagram/ @megadeth

No último sábado (02), Megadeth celebrou sua história e legado em um show enérgico e arrebatador no Espaço Unimed, em São Paulo. Naquele que marcou o show único da turnê de despedida This Was Our Life no Brasil, o vocalista, guitarrista e fundador do Megadeth, Dave Mustaine, provou por que a banda é um dos pilares incontestáveis do thrash metal.

Diante de um público que esgotou os ingressos com seis meses de antecedência, Mustaine e seus companheiros de banda entregaram 90 minutos de intensidade, ignorando os percalços físicos que motivaram o fim das atividades do grupo, para celebrar a conexão visceral com os fãs paulistanos nesta despedida.

Mustaine enfrenta limitações motoras

A decisão de aposentar o Megadeth dos palcos não veio do acaso, mas de um corpo que cobrou a conta de décadas de entregas extremas. Em entrevistas recentes, Mustaine detalhou que os motivos de sua aposentadoria são a artrite, a contratura de Dupuytren e a paralisia no nervo radial da mão esquerda, que podem comprometer sua performance como guitarrista, além de dores crônicas no ombro causadas pelo peso do instrumento. Somado a isso, o músico superou um câncer na garganta que, inevitavelmente, deixou marcas em sua capacidade vocal, hoje aos 64 anos.


Megadeth faz show de despedida em São Paulo (Foto: reprodução/Instagram/@lecasuzukiphoto)


Apesar desse histórico clínico, quem esteve no Espaço Unimed viu muito pouco dessas limitações físicas. No palco, Mustaine desfilou sua qualidade técnica característica, incluindo a spider chord, uma técnica criada pelo próprio guitarrista que consiste em posicionar os dedos de forma a evitar pausas entre acordes. Ao seu lado, o entrosamento do quarteto, nesta última formação, brilhou com Teemu Mäntysaari na guitarra, James LoMenzo no contrabaixo e Dirk Verbeuren, que consolidou seu posto como o melhor baterista que o grupo já teve desde Nick Menza, entre os fãs.

Banda muda repertório e celebra metal pesado

Com o repertório recheado de surpresas, o quarteto surpreendeu logo no início ao resgatar The Conjuring, faixa que não era executada nos palcos há quase duas décadas, devido à conversão religiosa de Mustaine. Outras surpresas no setlist foram o retorno das músicas She-Wolf, Dread and the Fugitive Mind e Hook in Mouth. Da nova fase do álbum de despedida, a banda incluiu I Don’t Care e Let There Be Shred. Estiveram ausentes, porém, a clássica A Tout le Monde e as faixas Trust e Angry Again.

Os solos frenéticos de Hangar 18 dividiam espaço com os gritos da plateia, enquanto a performance catártica da querida Sweating Bullets, intensificou a reação do público, abrindo as portas para a dobradinha de Wake Up Dead com a cadência sombria de In My Darkest Hour. Como esperado, outro ponto alto do show foi a canção Tornado of Souls e o clássico do metal Symphony of Destruction, dupla que está entre as mais reverenciadas pelos fãs.


Megadeth performa Symphony of Destruction, em São Paulo (Vídeo: reprodução/Instagram/@rollinstonebrasil)


O flerte com o passado chegou ao ápice quando Mustaine deixou clara a impressão de seu DNA na história da música pesada e nas origens do thrash metal. O vocalista executou Mechanix — sua versão original para The Four Horsemen, segunda faixa do disco de estreia do Metallica, Kill ‘Em All (1983) —, e entregou uma releitura mais grave e acelerada de Ride the Lightning, faixa-título do álbum Ride the Lightning (1984), projeto que marcou a despedida de Mustaine da banda Metallica.

Mustaine consolida legado e turnê avança para novos países

Falar sobre o impacto de Dave Mustaine é, inevitavelmente, falar sobre a própria gênese do thrash metal. Antes mesmo de reinar no Megadeth, o músico já havia cravado seu nome na história como guitarrista original do Metallica, forjando os alicerces de velocidade e agressividade que moldariam a música pesada nas décadas seguintes. Transformando sua conturbada saída em combustível criativo, Mustaine ergueu um império sonoro pautado por uma técnica afiada, complexa e inconfundível, consolidando o Megadeth como uma das forças matrizes e indispensáveis do gênero e do rock em geral.


Fotografia de Dave Mustaine tocando guitarra no palco sob uma forte iluminação azul. Ele faz uma pose dramática, inclinando o tronco e a cabeça para trás, com os olhos fechados e seus longos cabelos loiros e cacheados caindo soltos em direção às costas. Ele veste uma camisa social branca com as mangas dobradas até os cotovelos e calça jeans escura. No pulso direito, usa uma munhequeira preta com a palavra "MEGADETH" estampada em branco. Ele empunha uma guitarra em formato de "V" com acabamento em tons brilhantes de vermelho escuro e detalhes nas bordas em preto e branco. Ao fundo, levemente desfocado, é possível ver parte do bumbo da bateria com as letras "DETH" em branco.

Dave Mustaine durante despedida em São Paulo (Foto: reprodução/Instagram/@lecasuzukiphoto)


Apesar da noite no Espaço Unimed carregar o peso emocional de um adeus, essa despedida pode não ter sido definitiva para o Brasil. Em sua conversa com a Rolling Stone Brasil, o vocalista deixou claro que a banda pode retornar ao país antes do encerramento absoluto da carreira.  A turnê This Was Our Life avança pela América Latina, com apresentações marcadas já para esta segunda (04) e terça-feira (05) em Santiago, no Chile. Logo depois, a banda desembarca no México para uma sequência de shows em Monterrey, Cidade do México e Guadalajara. A partir do final de maio, o quarteto atravessa o Atlântico para uma longa maratona de festivais e arenas pela Europa.

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