Ed Motta admite arrependimento por polêmicas e volta a cantar em português em novo álbum

Aos 55 anos, cantor lança seu 15º álbum após mais de uma década sem canções em português e fala sobre críticas recentes nas redes sociais

01 out, 2026
Ed Motta | Reprodução/Instagram/@edmotta
Ed Motta | Reprodução/Instagram/@edmotta

Ed Motta, 55 anos, lança Toc-Toc, seu 15º álbum, retornando ao português após mais de uma década. O disco, pela gravadora alemã MPS, se aproxima da sonoridade de Manual Prático para Festas, Bailes e Afins. Em entrevista à GQ Brasil, o cantor nascido no Rio de Janeiro se diz arrependido de polêmicas recentes.

O retorno ao português

Canções como Manuel (1988), Fora da Lei (1997) e Colombina (1988) marcam a trajetória de Motta no soul brasileiro. Nos últimos anos, seus álbuns narraram histórias inspiradas em filmes de faroeste e nouvelle vague, expandindo seus experimentos sonoros. O retorno ao português representa uma virada: o cantor afirma querer compor músicas com maior poder de síntese e deixa clara sua visão sobre o formato.

“O pop não precisa ser um hambúrguer plastificado. Existe uma gama de possibilidades dentro do que é pop”

Essas declarações mostram o cuidado com a estrutura do novo álbum. Ed Motta reservou tempo para trabalhar com composições mais concisas, um contraste com seus trabalhos anteriores de maior extensão. A mudança reflete tanto na sonoridade quanto no retorno deliberado à língua portuguesa.


Ed Motta lança álbum Toc-Toc (Áudio: reprodução/Spotify/Ed Motta)


Polêmicas e arrependimento

As lives no Instagram, que acumulam centenas de seguidores, transformaram Ed Motta em figura polarizada nas redes sociais. As transmissões geram memes e controvérsias regularmente. Em 2024, o cantor fez uma declaração que ecoou na internet:“qualquer um que ouve hip-hop é burro. Qualquer um, qualquer um. Sem exceção”

A repercussão foi imediata. Motta explica que a fala foi uma reação a alguém que o incomodava no momento. Sobre o episódio, declara: “Me arrepender é pouco: foi um equívoco”

O cantor reafirma ter laços com músicos do Racionais MC’s e ter produzido para Ice Blue, demonstrando que sua trajetória não se reduz a uma fala impulsiva. Quanto às lives, pondera: “Mas as lives são como ter a minha própria televisão para falar o que quiser”

Em maio deste ano, um incidente em restaurante no Rio amplificou o debate. Ed Motta arremessou uma cadeira durante uma cobrança de taxa de rolha e foi investigado por injúria racial após chamar o garçom de “paraíba”. O caso reflete a personalidade intransigente do artista.

Formação e influências

Sobrinho de Tim Maia, Ed Motta começou como baterista em bandas de rock nos anos 1980, absorvendo a energia de grupos punk como Olho Seco, Ratos de Porão e Inocentes. Sua formação intelectual é igualmente heterodoxa: aos 12 anos, lia Mikhail Bakunin. A música brasileira entrou em seu repertório aos 22 anos, influenciado por Tom Jobim e Chico Buarque.

O cantor mantém uma coleção com mais de 30 mil discos e compõe semanalmente. Casado há mais de três décadas com Edna Lopes, quadrinista, vive imerso no universo musical. Sobre suas preferências, critica especificamente a banda Jamiroquai em podcast, preferindo o trabalho do cantor Belo. Afirma que a música que realmente o interessa foi feita entre 1930 e 1983.

Toc-Toc será apresentado em show no Teatro Bradesco, em São Paulo, no dia 16 de outubro. O álbum saiu pela MPS sem interferência editorial, refletindo a autonomia criativa que Motta sempre perseguiu. O artista deixa claro não ter interesse pelo mercado musical atual.

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