Zara supera Nike e se torna a marca de moda mais valiosa do mundo

Ascensão da Zara e queda da Nike em ranking global, revelam um consumidor menos interessado em hype e mais focado em funcionalidade.

20 maio, 2026
Zara lidera ranking mundial e se torna marca de moda mais valiosa | Reprodução/Unsplash/Zara/Ben Tona
Zara lidera ranking mundial e se torna marca de moda mais valiosa | Reprodução/Unsplash/Zara/Ben Tona

Segundo o novo relatório da Kantar BrandZ (empresa líder mundial em dados, insights), a Zara ultrapassou a Nike e se tornou a marca de moda mainstream mais valiosa do mundo em 2026. A empresa espanhola do grupo Inditex alcançou US$ 44 bilhões em valor de marca, enquanto a Nike caiu para US$ 41 bilhões após uma desvalorização de 17%.

Mais do que uma simples troca de posições em um ranking corporativo, o movimento ajuda a revelar uma transformação profunda na forma como o consumidor se relaciona com a moda atualmente.

O fim da era do excesso?

Durante a última década, a indústria mergulhou em uma lógica de hiperestímulo constante. Collabs semanais, lançamentos limitados, tendências aceleradas e campanhas cada vez mais performáticas passaram a dominar o mercado. Em muitos momentos, consumir moda deixou de ser apenas sobre vestir e passou a funcionar quase como uma demonstração pública de pertencimento cultural.


 

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Produtos da Zara (Foto: reprodução/Instagram/@zara)


O consumidor de 2026 parece menos interessado em acompanhar toda microtendência viral e mais disposto a investir em peças que façam sentido dentro da vida real. E talvez seja exatamente aí que a Zara tenha encontrado sua força. Enquanto parte do mercado insistia em transformar cada coleção em espetáculo, a marca espanhola continuou apostando naquilo que sempre soube fazer melhor: leitura rápida de comportamento, agilidade extrema de produção e uma estética alinhada ao presente sem precisar disputar atenção através do exagero. 

Existe também um fator econômico importante. Em um cenário global marcado por desaceleração do consumo e inflação em diferentes mercados, o fast fashion acessível voltou a ganhar força entre consumidores que desejam continuar comprando moda, mas com escolhas mais estratégicas.

Uniqlo, H&M e a ascensão do básico inteligente

O relatório da Kantar mostra que a Zara não foi a única exceção em meio à retração do setor. Uniqlo e H&M também registraram crescimento em 2026, um movimento que ajuda a confirmar uma mudança silenciosa no comportamento global.

O chamado “básico inteligente” voltou ao centro da conversa. Roupas versáteis, design limpo, conforto e qualidade percebida passaram a ter mais força do que produtos construídos apenas para viralizar nas redes sociais.

Talvez a moda esteja entrando em uma nova fase. Menos espetáculo. Menos histeria de tendência. E, principalmente, menos necessidade de transformar tudo em performance visual o tempo inteiro.

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