Setchu resgata a calma e a tradição em desfile marcante em Milão

Grife japonesa surpreende o público em Milão com criações casuais sem gênero que unem alfaiataria geométrica bem desenhada a redes de couro

22 jun, 2026
Modelos da Setchu | Reprodução/instagram/@setchu.official
Modelos da Setchu | Reprodução/instagram/@setchu.official

A correria atual costuma ditar o ritmo de tudo, inclusive das roupas que vestimos. No entanto, o estilista Satoshi Kuwata mostrou na Semana da Moda de Milão que ainda existe espaço para respirar, desacelerar e valorizar a calmaria. Com a nova coleção de primavera-verão 2027 de sua marca, a Setchu, ele trouxe para o público uma moda em extinção: aquela feita sem pressa, focada no corte perfeito e na construção minuciosa de cada peça.

O desfile, batizado de “Caught in the Nets” (Pegado nas Redes), uniu a alfaiataria tradicional com histórias de pescadores e viagens. Kuwata buscou inspiração nas áreas de pesca do Gabão, país africano que visitou, misturando essa bagagem com sua própria vivência, já que ele também pratica a pesca. O resultado foi um diálogo leve e original entre o Oriente e o Ocidente, misturando roupas masculinas e femininas em um guarda-roupa sem barreiras de gênero, que funciona como uma proteção estilosa para os dias agitados de hoje.

Redes de couro e nós que contam histórias

Para dar vida ao tema náutico, o designer transformou redes de pesca em artigos de luxo. Os modelos cruzaram a passarela vestindo tramas feitas de cordões de couro coloridos, amarrados à mão com uma técnica tradicional chamada nó quadrado japonês. Essas redes cobriam vestidos e saias de forma delicada, mas resistente. Detalhes curiosos chamaram a atenção, como calças e bermudas com costuras soltas que pareciam erros de propósito, mostrando que até o improviso foi calculado milimetricamente.


 

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Desfile da Setchu em Milão (Vídeo:reprodução/Instagram/@setchu.official)


A geometria também ditou o ritmo das criações, inspirada nas dobras do origami. Formas retangulares e círculos apareceram em blusas e vestidos pretos e brancos cheios de recortes vazados que se ajustavam direto ao corpo. Teve espaço até para uma dose de drama, como no caso de um terno cinza completamente coberto por uma enorme rede preta em movimento, acompanhado por um chapéu de palha gigante que cobria o tronco do modelo.

A força do corte e as cores da estação

Mesmo com tanta inovação visual, a grande marca da grife continua sendo a habilidade na alfaiataria. Vestidos pretos assimétricos ganharam fendas geométricas e painéis de seda com botões e fechos escondidos, deixando um mistério sobre como as peças foram montadas. Esse cuidado com o acabamento artesanal deu leveza e movimento ao guarda-roupa, transformando panos estruturados em trajes fluidos.

O desfile não ficou preso apenas aos tons neutros da terra e do mar, como o oliva e o branco. Kuwata arriscou em contrastes vibrantes que animaram o segundo dia do evento em Milão. Casacos desconstruídos em tom oliva ganharam a companhia de detalhes em fúcsia intenso, enquanto uma jaqueta curta de mangas estruturadas surgiu em um verde-limão chamativo, equipada com zíperes pretos bem visíveis. Uma coleção que pescou a atenção do público ao provar que a moda técnica também pode ser emocionante.

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