Retorno da estética dark para as passarelas em 2026

Entre o romantismo sombrio e a rebeldia do punk, o preto volta a dominar as passarelas e reflete as inquietações sociais e políticas atuais

02 nov, 2026
Coleção de Dario Mittmann | Reprodução/Instagram/@spfw
Coleção de Dario Mittmann | Reprodução/Instagram/@spfw

O recente retorno das cores vibrantes e do design maximalista para as passarelas foi bastante comentado. Entretanto, uma outra estética fez um retorno silencioso para as passarelas dos grandes desfiles este ano, a estética dark, marcando a temporada de 2026. O look “all black” trouxe consigo para as passarelas todo um espectro dessa estética, desde a delicadeza e o terror do romantismo gótico até a ousadia e rebeldia do punk.

Do gótico ao punk: o retorno de uma estética sombria

Para entender melhor essa estética é preciso voltar ao século XIX, quando o romantismo através de autores como Mary Shelley e Edgar Alan Poe e as inspirações visuais da arquitetura gótica criam uma nova estética visual, o Gótico. Mais tarde o pós-punk ganha forma por volta das décadas de 1970 e 1980, uma estética onde a música se torna uma inspiração direta para a o vestuário e a atitude da época.


Coleção da Forca Studio no SPFW 2026 (Foto: reprodução/Instagram/@spfw)


De um ponto de vista simbólico, a estética gótica vai muito além de roupas, ela aborda temas profundos como morte, espiritualidade, introspecção e resistência aos padrões normativos da sociedade. O punk por sua vez é rebeldia e atitude crua. O que vemos na cenário da moda atual com a popularização dessa estética dark inspirada por esses dois movimentos não se trata de um padrão, de algo pode ser colocado sobre uma única etiqueta de identificação, mas sim uma linguagem que conversa com streetwear, o minimalismo e até mesmo com propostas genderless.

A sombra como resistência em tempos de saturação digital

O retorno dessa estética não é apenas um mero acaso cíclico da moda, ele reflete diretamente o atual momento político e social. Em uma sociedade, hiper visual, super conectada e superpovoada, a estética dark oferece um espaço para a introspecção, a melancolia e o mistério.


Coleção da Artemisi no SPFW 2026 (Foto: reprodução/Instagram/@spfw)


Especialistas afirmam que a popularização dessa linguagem visual é uma resposta direta à busca crescente por autenticidade e sinceridade emocional. Em tempos de grande instabilidade social e política, símbolos de gravidade e profundidade ganham força, a moda se torna ferramenta de questionamento das estruturas de poder vigentes. A estética punk e gótica na modernidade se manifesta através da atitude e da recuso do óbvio, transformando sombras em identidade.

As marcas que ditaram o tom nas passarelas

Nas passarelas internacionais o tom dark romântico esteve presente em casas tradicionais como Saint Laurent, Schiaparelli e Balmain e também em marcas contemporâneas como Khaite e Magda Butrym. Em solo brasileiro, a recente edição do São Paulo Fashion Week (SPFW) mostrou que as marcas nacionais receberam de braços abertos o romantismo sombrio.


Coleção de Alexandre Herchcovitch no SPFW 2026 (Foto: reprodução/Instagram/@spfw)


Alexandre Herchcovitch apresentou uma coleção que mistura o brilho do vinil e do látex, com rendas transparentes e silhuetas de lingerie. A Forca Estudio explorou texturas como o couro e tecidos expostos a processos de combustão, criando uma atmosfera distópica. 


Coleção de Dario Mittmann no SPFW 2026 (Foto: reprodução/Instagram/@spfw)


Dario Mittmann, foi um dos destaques da SPFW, o designer levou para as passarelas o universo da Turma de Mônica de Maurício de Souza, repaginado com uma estética sombria, aproximando o clássico brasileiro do punk e do gótico. Artemisi uniu o gótico com o misticismo e a ficção fantástica, com máscaras e esculturas 3D.

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