Penha Maia transforma concreto em poesia com coleção inspirada na arquitetura de São Paulo
Coleção “Brutalismo: Corpo Urbano” levou referências à arquitetura paulistana para uma passarela a céu aberto no centro da capital
A estilista Penha Maia apresentou, no último domingo (26), a coleção Brutalismo: Corpo Urbano em um desfile realizado no Viaduto Santa Ifigênia, no centro de São Paulo. Com inspiração na arquitetura brutalista e em alguns dos principais marcos da capital paulista, a estilista transformou estruturas de concreto, formas geométricas e elementos urbanos em peças marcadas por volumes e silhuetas esculturais.
Arquitetura ganha nova leitura na passarela
A proposta da coleção foi reinterpretar a arquitetura por meio da moda. Durante a apresentação, Penha Maia explicou que buscou transformar a rigidez do concreto em algo delicado e sensível. “Peguei o bruto, o concreto bruto e transformei numa poesia”, afirmou a estilista.
Entre as principais inspirações estão obras de arquitetos como Lina Bo Bardi, Oscar Niemeyer e outros grandes nomes da arquitetura brasileira. O MASP, projetado por Lina Bo Bardi, aparece reinterpretado em modelagens estruturadas, recortes e construções que remetem às linhas marcantes do edifício.
Cores e volumes traduzem o brutalismo
A coleção aposta em uma cartela de cores dominada pelos tons de cinza, que remetem ao concreto aparente característico da arquitetura brutalista, além do amarelo e o vermelho bombeiro que cria contraste com as formas das peças. Os looks exploram volumes, ombros marcados, sobreposições e estruturas tridimensionais, aproximando a moda da escultura.

Desfile de Penha Maia (Foto: reprodução/Instagram/@ze_takahashi)
Materiais como espuma, barbatanas e armações ajudam a construir silhuetas arquitetônicas, reforçando a ideia de que as roupas podem dialogar diretamente com os espaços urbanos.
Moda ocupa o espaço da cidade
Escolher o Viaduto Santa Ifigênia como passarela também fez parte do conceito da coleção. No coração de São Paulo, Penha Maia transformou a cidade em extensão da passarela e defendeu a ocupação dos espaços urbanos pelos corpos, especialmente os femininos. As roupas traduzem essa proposta por meio de volumes e formas que reivindicam presença, transformando o vestir em uma manifestação artística
O desfile deixou um gostinho de estreia. Ao transformar a arquitetura paulistana em moda, Penha Maia apresentou Brutalismo: Corpo Urbano como o início de uma proposta que une arte e identidade brasileira.
