Patricia Viera revisita memórias afetivas e equilibra tradição e renovação

Estilista explora superfícies artesanais, contrastes de textura e novas leituras do couro em construções experimentais em parceria com a filha

17 abr, 2026
Modelos vestem Patrícia Vieira | Reprodução/Instagram/@riofwoficial
Modelos vestem Patrícia Vieira | Reprodução/Instagram/@riofwoficial

No Rio Fashion Week, Patrícia Viera apresenta uma coleção que transforma memórias afetivas em matéria-prima criativa, revisitando sua infância em Petrópolis enquanto reafirma a força do couro em novas possibilidades. Em diálogo com a filha e diretora criativa Andrea Viera Baptista, a designer constrói um equilíbrio entre tradição e renovação que marca este novo momento da marca.

Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Patrícia Viera consolidou seu nome como referência pelo rigor técnico, pela minuciosidade e por um olhar refinado que atravessa o tempo. No entanto, em sua mais recente apresentação no Rio Fashion Week, a designer carioca propõe um deslocamento sensível desse eixo. Em vez de partir apenas da técnica, ela mergulha em lembranças pessoais para dar origem à coleção. “É uma coleção sobre amor, sobre a minha infância e adolescência no lugar onde nasci. Me lembro das hortênsias de Petrópolis, das viagens em família. Quero que as pessoas sintam amor”, afirma.

Tradição e renovação em diálogo

Esse novo momento criativo também é atravessado pela presença de Andrea Viera Baptista, filha de Patrícia, que assumiu a direção criativa da marca em 2023. A parceria entre as duas evidencia um equilíbrio consistente entre herança e contemporaneidade.

Reconhecida por suas criações escultóricas em couro, a marca mantém sua identidade ao mesmo tempo em que se abre a experimentações. Esse diálogo se materializa em padronagens como o couro marmorizado e o maxi croco, desenvolvidos especialmente para a coleção, que traduzem a fusão entre tradição artesanal e inovação estética.

Explorações de textura e memória

Após uma trajetória marcada por múltiplos caminhos, Patrícia parece reencontrar no próprio ponto de origem um território fértil para reinventar sua linguagem. “No fim, é sobre a relação. Com você mesma, com sua família, com a sua equipe, com quem cria com você”, resume.


Bastidores do desfile Patrícia Vieira (Foto: reprodução/Instagram/@riofwoficial)


A coleção também se destaca pelas investigações materiais que ampliam as possibilidades do couro. Peças pintadas à mão e um elaborado jogo de sobreposições criam relevos e desenhos únicos, que ora evocam ripas de madeira, ora remetem a composições cerâmicas, como azulejos. Técnicas como o corte a laser introduzem uma delicadeza que lembra rendas, enquanto o trançado de couro incorporado ao tule reforça o caráter experimental das criações.

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