Pace estreia linha feminina em primeiro desfile e reforça manifesto de identidade
Com referências japonesas, alfaiataria contemporânea e foco nas construções das peças, marca de Felipe e Juliana Matayoshi apresenta inverno 2026
Na noite desta terça-feira (2), a Pace fez seu primeiro desfile nas passarelas ao apresentar a coleção TYP0J1G na Praça das Artes em São Paulo. A marca, conhecida por unir streetwear com alfaiataria baseada em cortes precisos, funcionalidade e influências da cultura japonesa, traz para a coleção de Inverno 2026 a inspiração no traje de arte marcial kendô, enquanto introduz uma linha feminina. Além disso, o desfile aposta em calças curtas pregueadas, jaquetas bomber e camisas alongadas, tudo isso usando muito couro e jeans sem perder o conforto e versatilidade.
Sob direção criativa de Felipe e Juliana Matayoshi, o desfile marcou mais um passo dentro da história da etiqueta, que começou sendo focada em calçados em 2017, passou por uma expansão em 2018, quando adicionou roupas como complemento ao seu catálogo. Agora a Pace amplia seu repertório ao apresentar cinco looks femininos, incluindo vestidos, tops, saias transparentes e conjuntos. Entre os convidados na primeira fila, estavam: Sasha Meneghel, João Lucas, Juliano Floss, Bruno Fagunde, Junior Lima, Bianca Comparato, Jotapê, Karen Joz e Lucas Silveira.
Entre referências japonesas e o essencial contemporâneo
A coleção explorou sobreposições, modelagens amplas em contraste com estruturas mais marcadas e uma cartela com tons neutros e escuros que dialogavam com as texturas que adicionavam profundidade às construções. As referências japonesas surgiram como o ponto de partida da coleção ao revisitar elementos do traje kendô, tradicional arte marcial japonesa com espadas. É notável a forma literal que foi incluída nos cintos com bolsos, coletes que remetem ao Dō e nos chapéus; até a silhueta do traje estava reinterpretada nos looks.
Nova coleção “TYP0J1G” da Pace (Vídeo: reprodução/Youtube/@PACECompany)
E a coleção de Inverno 2026 não parou por aí; ela ainda trouxe alfaiataria reinterpretada com pregas inspiradas no hakama, o trabalho artesanal de furoshiki que veio em formas que se aproximam do origami. Os casacos, vestidos e conjuntos surgiram com recortes que mostram o equilíbrio entre o rigor técnico e a leveza visual, reforçando a identidade da Pace, que busca conversar com o cotidiano sem abrir mão da experimentação.
O desfile foi uma grande valorização do espaço entre formas, enquanto fazia o cruzamento do Brasil e Okinawa com precisão. Em diferentes momentos, a coleção apresenta uma moda que parece interessada em permanência, distante dos excessos visuais e mais próxima da ideia do guarda-roupa como uma extensão da personalidade do indivíduo.
Um desfile que apresentou roupas e o futuro
A Pace surgiu em 2017 como marca de calçados. Um ano depois, em 2018, expandiu para o vestiário masculino com proposta de unir o streetwear e a alfaiataria em um objetivo de confeccionar roupas com cortes precisos, funcionalidade e influências da cultura japonesa. Em 2024, inauguraram uma flagship nos Jardins, em São Paulo; depois, em 2025, uma loja pop-up no JK Iguatemi. Para chegar em 2026 e apresentar o primeiro desfile ao mesmo tempo que estreia a linha feminina na marca.
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Loja da Pace no Shopping Jk Iguatemi (Foto: reprodução/Instagram/@felipe_matayoshi)
No desfile, a entrada do segmento feminino veio contida e delicada, mas em resposta a um público que representa 30% das vendas da marca. A coleção trouxe cinco looks que ganharam os códigos da Pace, mas com mais leveza e suavidade. As saias transparentes foram combinadas a peças de couro, como coletes e tops texturizados, para trazer a narrativa da marca.
