Nicolas Di Felice deixa a direção criativa da Courrèges após cinco anos
Depois de um aclamado desfile na Semana de Moda de Paris, o designer belga encerra ciclo na maison francesa para se dedicar a projetos pessoais
Nesta terça-feira (24), a Courrèges anunciou oficialmente a saída de Nicolas Di Felice do cargo de diretor criativo. A decisão, descrita pela maison como amigável, encerra uma parceria de cinco anos que foi fundamental para reposicionar a marca no epicentro da moda contemporânea.
Segundo o comunicado oficial, o estilista belga deixa a casa para se dedicar a projetos pessoais, com o sucessor previsto para ser anunciado já na próxima semana.
O estilista revitaliza o legado da Courrèges
Antes de assumir a Courrèges em 2020, Nicolas Di Felice construiu um currículo sólido trabalhando ao lado de Nicolas Ghesquière na Balenciaga e na Louis Vuitton, além de passar pela Christian Dior sob a tutela de Raf Simons. Essa bagagem técnica permitiu que ele traduzisse o DNA futurista e espacial o fundador André Courrèges para a estética urbana e minimalista dos anos 2020.
Ver essa foto no Instagram
Nicola Di Felice no backstage (Foto: reprodução/ Instagram/ @nicolas.difelice)
Sob sua liderança criativa, a marca recuperou o status e a relevância, tornando-se um dos desfiles mais disputados do calendário parisiense ao conquistar uma nova geração com silhuetas geométricas e materiais como o vinil.
Último desfile narra rotina parisiense
A despedida de Di Felice ocorre após a apresentação da coleção de Inverno 2026 na Semana de Moda de Paris, que propôs uma imersão de 24 horas na vida de uma mulher em Paris. O desfile iniciou com tecidos brancos que remetiam a lençóis, inspirados em arquivos da maison das décadas de 1960 a 1980, evoluindo para peças utilitárias com cortes em a forma de um trapézio e golas assimétricas. A narrativa visual inseriu detalhes do cotidiano urbano nas peças, como bordados de organza que simulavam bilhetes de metrô e jeans com texturas que lembravam piche.
Ver essa foto no Instagram
Desfile Outono Inverno 2026 da Courrèges (Vídeo: reprodução/Instagram/@courreges)
À medida que a cronologia do desfile avançava para a noite, surgiram vestidos ornamentados com miçangas de vidro e referências a tickets de chapelaria, refletindo a iluminação neon da cidade. O encerramento retomou o minimalismo característico da casa com construções geométricas em preto, culminando em um final onde todos os looks foram reapresentados inteiramente em branco. O desfile funcionou como um manifesto de luz e uma exploração da intimidade feminina frente ao dinamismo das metrópoles.
Setor enfrenta dança das cadeiras constante
A saída de Nicolas Di Felice não é um fato isolado, mas sim parte de uma intensa reestruturação que atinge as grandes maisons internacionais. O mercado de luxo vive um período de “dança das cadeiras“, com trocas rápidas de lideranças em busca de novos fôlegos comerciais ou mudanças de posicionamento.
A brevidade dos ciclos criativos tem se tornado o novo padrão da indústria, gerando especulações imediatas sobre qual será o próximo destino de Di Felice e quem assumirá o desafio de manter a Courrèges relevante após uma gestão tão bem-sucedida.
