Louis Vuitton: O Espetáculo da “Super Nature” no Louvre

Ghesquière eleva o rústico à alta alfaiataria com resinas 3D e texturas surreais, provando que a natureza é a moldura definitiva desta temporada

10 mar, 2026
Desfile da Louis Vuitton na PFW | Reprodução/Instagram/@louisvuitton
Desfile da Louis Vuitton na PFW | Reprodução/Instagram/@louisvuitton

Nesta terça-feira (10), a Louis Vuitton transformou o Cour Carrée do Louvre em um cenário onde o rústico e o luxo absoluto se encontraram. Sob o tema “Super Nature”, a coleção Outono/Inverno buscou inspiração na trajetória épica de seu fundador, percorrendo o caminho de Louis Vuitton desde as paisagens montanhosas de Jura até sua chegada a Paris, aos 14 anos. O desfile foi uma poesia visual sobre a evolução humana, traduzindo uma migração histórica em alta-costura.

Uma Pintura Pastoral Viva: A Arquitetura da Natureza

A passarela não foi apenas um palco, mas uma pintura pastoral viva. Com um cenário composto por gramados em formas geométricas que simbolizavam as montanhas e os rios da cidade natal do criador, a cenografia equilibrou o campestre e o urbano de forma nada simplória. As criações surgiram com estruturas quase circenses e extremidades afiadas, revelando uma arquitetura definida pelo mundo natural, onde casacos volumosos, uma das grandes tendências da temporada, dominaram o horizonte visual.

Nesse ecossistema fashion, as silhuetas carregavam a marca de reações instintivas ao clima, com acessórios que beiravam o surrealismo: bolsas carregadas por galhos, peças que remetiam a cabanas de madeira e chapéus agigantados em formato de barquinhos de papel, evocando a jornada do jovem Louis rumo à capital francesa.


Louis Vuitton PFW 2026 ( Foto: reprodução/Instagram/@voguebrasil)


Hiperartesanato: Onde a Tecnologia Encontra o Primitivo

O conceito central da coleção foi o “hiperartesanato”, uma técnica de sublimação da natureza através da tecnologia. Nicolas Ghesquière, reafirmando sua posição como um inovador de identidade artística forte e  fluida, utilizou a impressão tridimensional de resinas para elevar materiais orgânicos. A coleção apresentou peles vegetais e couros granulados que refletiam a textura da madeira com um toque flexível, enquanto flores inventadas eram moldadas delicadamente em couro para servir como decoração das peças.

A atenção aos detalhes minerais e animais trouxe um ar quase místico à passarela; botões que emulavam pedras preciosas dividiam espaço com saltos que remetiam a chifres e padrões animalier reinterpretados em canvas e jeans. Ao unir a aspereza da vida natural à sofisticação da alfaiataria, Ghesquière provou que a natureza, quando filtrada pelo olhar da Louis Vuitton, torna-se a mais rica das arquiteturas.

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