Haider Ackermann imprime sedução e mistério na passarela da Tom Ford

Na Paris Fashion Week, Ackermann combinou fendas e recortes estratégicos com alfaiataria precisa e couro em coleção marcada por tensão sensual

05 mar, 2026
Desfile Outono/Inverno 26 da Tom Ford | Reprodução/Instagram/@tomford
Desfile Outono/Inverno 26 da Tom Ford | Reprodução/Instagram/@tomford

Na noite desta quarta-feira (4), a maison Tom Ford fez o desfile Outono/Inverno 26, no Pavilhão Vendôme, na Paris Fashion Week. Em nova coleção, o diretor criativo Haider Ackermann aposta na clareza e nas conexões humanas para contrapor momento vivido na sociedade, pela disseminação de fakes news e dos discursos autoritários.

O desfile de Ackermann é afiado e preciso, em uma sala branca e vazia os modelos começam a se movimentar de forma desorganizada, alguns andando depressa, outro mais devagar, enquanto trocavam olhares entre si, o que conferia ao ambiente em um ar de mistério e sedução. Tudo ao mesmo tempo que a coleção era apresentada com equilíbrio, a alfaiataria, os recortes e fendas milimetricamente pensadas para evocar a aura sexy da marca.

Sedução em forma de tecidos

A grife Tom Ford tem a sensualidade como característica onipresente em suas roupas, principalmente para desenhar o corpo feminino, no evento isso apareceu das mais diversas formas, nas calças com aberturais laterais, nas rendas e meias-finais, nos cintos que iam além do passador, criando um novo recorte na pele à mostra.

Desfile Outono/Inverno 26 da Tom Ford (Vídeo: reprodução/Instagram/@voguerunway)


Ackermann também traz elementos do fetichismo nas saias lápis, jaquetas e vestidos em couro vinílico, nas botas de salto fino e nos casacos envernizados. Nem mesmo as mangas arregaçadas das camisas ou as golas erguidas passam despercebidas nessa narrativa que está sendo contada, assim como, camisas com alguns botões abertos dando espaço para um decote profundo e mais pele à vista.

Uma releitura de “Psicopata Americano”

Outras peças da coleção que chamam a atenção são as capas de chuva transparentes, a alfaiataria precisa com os ternos de risca de giz, as camisas com golas e punhos brancos, o uso do couro, tudo como se fosse uma releitura de “Psicopata Americano”, com roupas que provavelmente o personagem Patrick Bateman, interpretado por Christian Bale, usaria.
O power dressing dos anos 80 também está muito presente com as peças de alfaiataria, os casacos de lã com caimento impecável e as gravatas finas.

Coleção Tom Ford Outono/Inverno 26 traz power dressing (Foto: reprodução/Instagram/@tomford)

No final a interpretação que temos desse desfile é de continuidade dos códigos da marca, os que já estamos acostumados, mas com uma nova leitura, a de Haider Ackermann, que ganha um tom mais frio, calculista e sofisticado, às vezes em um tom quase ameaçador. Uma sedução que mescla mistério e o psicológico.

Mais notícias