Fendi e Marni: a ascensão feminina na Direção Criativa em Milão

Milão celebra o protagonismo feminino com o retorno de Maria Grazia Chiuri à Fendi e a estreia de Meryll Rogge na Marni; rompendo barreiras na moda mundial

03 mar, 2026
Fendi | Reprodução/Instagram/@fendi
Fendi | Reprodução/Instagram/@fendi

A Semana de Moda de Milão, que se encerra nesta terça-feira (3), consolidou uma transformação estrutural no panorama fashion global. O grande destaque desta edição foi o avanço do protagonismo feminino em cargos de liderança, desafiando o histórico domínio masculino na direção criativa das grandes grifes. Essa ruptura é fruto de anos de debates sobre a disparidade de gênero no setor, especialmente após o impacto simbólico de ver Donatella Versace, um dos maiores ícones de resistência feminina na moda, ser sucedida por um homem após três décadas no comando.  

O Novo Capítulo de Chiuri na Fendi 

A abertura do calendário de moda foi marcada por um reencontro histórico: Maria Grazia Chiuri retornou à Fendi. Após um ciclo de quase dez anos na Dior, onde consolidou sua reputação ao elevar drasticamente o faturamento da grife francesa, a designer regressa à casa onde sua carreira decolou em 1989. Foi ali que ela ajudou a conceber a icônica bolsa Baguette, acessório que se tornou um fenômeno cultural e segue como um pilar comercial indispensável para a marca. 

Nesta nova coleção, Chiuri apresentou um equilíbrio refinado entre a precisão da alfaiataria — que abraçava a silhueta com maestria — e uma estética jovial. A proposta fundiu vestidos rendados de extrema leveza a uma visão feminina e sensual, sinalizando que a Fendi está pronta para dominar novamente as listas de desejos globais e aquecer o mercado de luxo. 


 

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Maria Grazia Chiuri (Foto: Reprodução/Instagram/@fendi)


A Ascensão de Meryll Rogge na Marni 

Paralelamente, o cenário fashion celebrou a chegada de Meryll Rogge à Marni. Substituindo Francesco Risso, a estilista belga assume um papel emblemático: é a primeira mulher na liderança criativa desde a saída da fundadora, Consuelo Castiglioni. Rogge, que carrega em seu currículo experiências com nomes de peso como Marc Jacobs e Dries Van Noten, além do sucesso de sua marca própria, utilizou sua estreia para resgatar o espírito intelectual que define a grife italiana. 


 

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Meryll Rogge (Foto: Reprodução/Instagram/@marni)


A passarela refletiu essa herança através de volumes fluidos típicos dos anos 1990, estampas com influências da década de 60 e um uso vibrante de blocos de cor (colorblocking). O resultado foi uma coleção que comunica arte e sofisticação de forma única. A escolha foi endossada por Renzo Rosso, presidente do grupo OTB, que em comunicado destacou a capacidade da designer de modernizar o DNA da marca. Com esta primeira apresentação, Rogge confirmou que possui a sensibilidade necessária para conduzir a Marni a uma nova dimensão global. 

Desta forma, a feminilidade vem à tona mais uma vez, consolidando um momento em que as mulheres constroem sua própria história ao desbancar barreiras e limitações sociais historicamente impostas. Essas diretoras criativas provam que o olhar feminino é indispensável para ditar os novos rumos do luxo, transformando a passarela em um espaço de resistência, intelecto e, acima de tudo, protagonismo real. 

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