Gótico e punk voltam com tudo e dominam as passarelas do SPFW

Gótico e o punk voltaram no SPFW! Herchcovitch, Forca Studio, Dario Mittmann e Artemisi mostram couro, vinil e renda com muita atitude

17 out, 2026
Estética dark toma conta das passarelas do SPFW  | Reprodução/Instagram @spfw
Estética dark toma conta das passarelas do SPFW | Reprodução/Instagram @spfw

Imagine os personagens da Turma da Mônica em versão punk e gótica, com couro, vinil, correntes, renda e maquiagem pesada. No SPFW, isso virou coleção e ajudou a levar a estética dark para a passarela: Dario Mittmann pegou o universo criado por Mauricio de Sousa e levou para o lado sombrio, em um contraste e tanto com o imaginário nostálgico que muita gente carrega da infância.

A proposta aposta na mistura e nas contradições para afastar os personagens da imagem tradicional, e virou uma das surpresas da semana de moda. Além disso, é só um dos exemplos de uma tendência que já roubou a cena mesmo antes do fim do evento: a volta da estética dark, com muita referência ao gótico e ao punk. Alexandre Herchcovitch, Forca Studio e Artemisi também trouxeram suas versões do tema, entre fetiche, clima distópico e fantasia.

Um tema, vários caminhos

E não é só aqui. Corsets, rendas, couro e mistura de texturas também apareceram nas passarelas internacionais, de Alexander McQueen a Gucci, sempre com aquela pegada de romantismo, rebeldia e drama.

O mais interessante é que cada marca brasileira pegou esse ponto de partida e foi para um caminho diferente. Tem quem foque na sensualidade e no corpo, quem aposte em materiais transformados e quem mergulhe no universo da fantasia. Ou seja: o dark do SPFW não é uma fórmula única, e é justamente isso que deixa a tendência tão fácil de se identificar.


Veja looks da estética dark que marcaram o SPFW (Vídeo: Reprodução/Instagram/@dariomittmann)


Herchcovitch volta às origens

Alexandre Herchcovitch apostou em uma coleção de inspiração gótica que revisita referências que fazem parte da sua história. O brilho do vinil e do látex lembra o fetiche e a atitude punk dos anos 1980, enquanto as rendas transparentes e as silhuetas de lingerie remetem às roupas do século 19.

A graça está no contraste: tecidos fluidos entram em cena ao lado de materiais com aparência mais dura, e a coleção brinca com sensualidade, romantismo e a exposição do corpo. É um jeito de mostrar que o gótico também pode ser delicado, sensual e cheio de movimento.

Forca Studio: couro e tecido “queimado”

Na Forca Studio, o couro aparece em várias texturas e acabamentos. Já o tecido Foton, que faz parte da trajetória da marca, passou por aquecimento e combustão, o que deixou marcas irregulares na superfície. O efeito lembra peças castigadas pelo fogo e reforça o clima distópico da coleção.

O look combina referências urbanas e fetichistas, com vestidos justos, calças oversized e casacos volumosos. Recortes e proporções contrastantes alternam entre mostrar e proteger o corpo, como se as roupas virassem armaduras. É um gótico que conversa com a rua e prova que o dark também pode ser urbano.

Artemisi: gótico com toque de misticismo

A Artemisi misturou o gótico com misticismo e ficção fantástica. A coleção une técnicas manuais a recursos como impressão 3D e corte a laser, criando estruturas esculturais que abraçam o corpo. Renda, aplicações e formas tridimensionais com cristais e pedrarias dão vida a vestidos e saias de cair o queixo.

As máscaras são as grandes estrelas e conversam com o conceito de persona, do psiquiatra Carl Jung, que fala sobre a imagem que cada um mostra ao mundo. Os looks parecem saídos de um universo fantástico, e a marca, comandada por Mayari Jubini, valoriza o tempo e a precisão da mão humana no fazer manual da moda brasileira. É a prova de que o gótico também pode ser sofisticado e artesanal, com cada detalhe trabalhado como uma peça de arte.


Máscaras e estruturas esculturais na Artemisi (Foto: Reprodução/Instagram/@spfw)


Como usar a estética dark no dia a dia

Se a ideia é levar a tendência para fora da passarela, dá para começar aos poucos. Peças de couro ou de vinil, como jaquetas e saias, já trazem a atitude punk sem exigir um look completo. Uma renda por baixo de um casaco volumoso lembra o romantismo gótico, e correntes, maquiagem marcante e acessórios pesados ajudam a dar o toque final.

O truque é misturar: combine o preto e as texturas brilhantes com peças básicas do seu guarda-roupa e fuja do visual de fantasia. Assim, a estética dark vira estilo pessoal, e não figurino.

Com tantas leituras diferentes, o SPFW deixou claro que o dark está em alta nesta temporada. Agora resta saber quais dessas referências vão aparecer no street style e nas vitrines nos próximos meses.

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