Dior celebra vínculo com Hollywood em nova coleção Cruise

Sob direção de Jonathan Anderson, maison evoca referências ao cinema e glamour clássico, enquanto traz leitura contemporânea a peças de Monsieur Dior

14 maio, 2026
Desfile Dior Cruise 2027 | Reprodução/Instagram/@dior
Desfile Dior Cruise 2027 | Reprodução/Instagram/@dior

Nesta quarta-feira (13), a Dior apresentou a coleção Cruise 2027 sob direção de Jonathan Anderson. No complexo de galerias recém-inaugurado do Museu de Arte do Condado de Los Angeles (LACMA), a maison evocou a relação íntima da casa com Hollywood desde os tempos de Christian Dior, enquanto combina referências cinematográficas, glamour clássico e um toque de leitura contemporânea com a atmosfera da Califórnia.

A coleção também contou com um capítulo especial ao incluir o homem Dior na passarela e ter participação de Ed Ruscha nas camisas que incorporam elementos e assinaturas do pop art do artista. O evento teve a presença de celebridades; entre elas estavam: Sabrina Carpenter, Jisoo, Miley Cyrus, Al Pacino, Laura Hutton e Anya Taylor-Joy.

O encontro entre cinema e moda

O desfile realizado no recém-inaugurado complexo de galerias David Geffen, do Los Angeles County Museum of Art (Lacma), já mostrava indícios de que a relação da Dior com o cinema seria o ponto de partida para a coleção. Em um cenário com elementos de set de filme de Hollywood, carros vintage da Cadillac, lâmpadas de rua no estilo Hopper e jatos de luz, o público foi sutilmente ambientado na atmosfera do cinema clássico.

Desde os anos 1950, a maison veste atrizes e participa da construção de figurinos; inclusive, Christian Dior foi indicado ao Oscar na categoria de “Melhor figurino” pelo trabalho no filme “Quando uma mulher erra” (1953). A casa também já vestiu Lauren Bacall, Audrey Hepburn, Grace Kelly, Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor, se consolidando como uma das grifes preferidas da era de ouro da indústria cinematográfica.


 

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Desfile Cruise 2027 da Dior (Vídeo: reprodução/Instagram/@dior)


Jonathan Anderson disse que: “Christian Dior compreendeu o quanto a ideia do sonho era importante para as pessoas no pós-guerra, como uma forma de escapismo”. O estilista continuou falando que Dior explorou essa ideia na alta-costura, e como Hollywood é a Fábrica de Sonhos, isso fez com que fosse parte de uma mesma mudança cultural.

Na passarela, duas referências foram muito claras: a jaqueta da coleção de alta-costura Primavera/Verão 1949, usada pela atriz Marlene Dietrich no filme “Pavor nos Bastidores” (1950), de Alfred Hitchcock. Depois, a natureza de Los Angeles é exaltada com a aplicação da flor de papoula entre as costuras e os bordados das peças.

Coleção Cruise de Jonathan Anderson

A coleção apostou em elementos que remetem ao imaginário das grandes produções hollywoodianas. Os vestidos de noite com movimento dramático e em renda bordada, as capas amplas com acabamento acetinado que davam um ar quase cenográfico quando entravam na passarela, as jaquetas em lã buclê com punhos desfiados. Toda a proposta é clara: evocar a estética das grandes estrelas da era de ouro do cinema, de silhuetas sofisticadas, tecidos fluidos à alfaiataria precisa e aos casacos estruturados.

O universo masculino também ganha contexto na apresentação; os homens surgem em ternos com aplicações de lantejoulas, camisas estampadas com obras do artista Ed Ruscha, camisas de pijama combinadas a calças de couro e chapéus com dizeres como “Buzz” e “Dior”, criados pelo chapeleiro Phillip Treacy, inspirados no modelo criado para Isabella Bow.


Desfile Cruise 2027 da Dior (Foto: reprodução/dior.com)


Para os acessórios, a coleção reserva a criatividade e fantasia das histórias de cinema. Os destaques são: a reinterpretação da icônica Saddie, agora em uma versão mais minimalista; a volta da estampa de jornal; e os lúdicos com as bolsas em formato de abelha, joaninha e caracol; e os sapatos com flores e lantejoulas.

A Cruise 2027 é a coleção mais descomplicada do estilista, que reúne códigos já vistos em outras passarelas, mas agora com uma visão mais direta e casual, equilibrando o sofisticado com a praticidade. Além disso, a apresentação também mostra que Jonathan Anderson está se encontrando dentro da Dior. Isso é visível em elementos como a cintura, com toque mais sutil e com menos destaque quando colocada abaixo do busto e nas peças que a ganharam mais na linha do quadril. Outro ponto foram as produções mais despojadas da coleção, que combinam referências glamourosas com calça jeans, camisas brancas e outros elementos que aproximam do dia a dia atual.

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