Jacquemus transforma Ilha de Córsega em passarela

Em um farol à beira do Mediterrâneo, Simon Porte Jacquemus apresenta “Le Bonheur” e reforça que sua marca vai muito além das roupas

30 jun, 2026
Jacquemus escolhe Córsega como cenário para desfile | Reprodução/Instagram/@jacquemus
Jacquemus escolhe Córsega como cenário para desfile | Reprodução/Instagram/@jacquemus

Conhecida por apresentar não só coleções, mas experiências completas, a marca Jacquemus escolheu um cenário distante das passarelas tradicionais para revelar sua coleção primavera/verão 2027, intitulada “Le Bonheur”: o farol de Pietra, em L’Île-Rousse, na Córsega.

Antes mesmo de os convidados ocuparem seus lugares, os modelos percorreram por cerca de dez minutos um caminho ao ar livre sob temperaturas próximas aos 36 °C. O desfile começou antes da passarela propriamente dita, transformando a paisagem mediterrânea em parte da narrativa e reforçando uma característica que acompanha a marca desde sua fundação: a capacidade de criar imagens memoráveis.

Quando o cenário também conta a história

Muito antes de a bolsa Chiquito se tornar um dos maiores fenômenos de desejo da década passada, Simon Porte Jacquemus já havia entendido que construir uma marca significava criar um universo. Sua moda sempre esteve associada ao sul da França, à luz do verão, às férias e a uma elegância que ultrapassa as roupas.

Não por acaso, seus desfiles frequentemente acontecem em locações que se tornam tão comentadas quanto a coleção. Campos de lavanda, plantações de trigo, salinas e praias ajudaram a consolidar uma identidade visual imediatamente reconhecível. Em “Le Bonheur”, esse repertório ganha um novo capítulo ao ocupar a paisagem montanhosa da Córsega, onde natureza e arquitetura dialogam de forma quase cinematográfica.


 

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Campanha Jacquemus (Vídeo: reprodução/Instagram/@jacquemus)


Durante os anos 2010, poucos estilistas compreenderam tão bem o potencial das redes sociais quanto Jacquemus. Cada desfile parecia pensado para circular muito além dos convidados presentes, transformando fotografias e vídeos em ferramentas de construção de desejo. Mais do que acompanhar tendências digitais, o designer ajudou a estabelecer uma nova maneira de comunicar moda.

Uma coleção que refina a identidade da marca

Se o cenário impressiona imediatamente, a coleção aposta em um caminho mais contido. Em vez de propor uma ruptura estética, “Le Bonheur” revisita códigos que já fazem parte do vocabulário da maison, agora apresentados com maior maturidade e refinamento.

Transparências, recortes laterais e o jogo entre revelar e esconder continuam presentes, enquanto as silhuetas femininas valorizam a leveza dos tecidos e o movimento. No masculino, os volumes aparecem mais amplos, mas dividem espaço com peças de alfaiataria que voltam a desenhar a cintura por meio de abotoamentos precisos, equilibrando estrutura e fluidez.


 

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Coleção Jacquemus (Foto: reprodução/Instagram/@jacquemus)


A coleção dialoga diretamente com a paisagem em que foi apresentada. Os tons claros, as texturas naturais e as proporções limpas reforçam a sensação de verão que há anos faz parte da identidade da marca. São roupas que parecem concebidas para viver além da passarela, nos editoriais de moda, nos tapetes vermelhos e, naturalmente, nas redes sociais.


 

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Campanha Jacquemus (Foto: reprodução/Instagram/@jacquemus)


Mais do que lançar uma nova estética, o criador da maison reafirma aquilo que consolidou sua marca como uma das mais influentes da moda contemporânea: a capacidade de transformar cada coleção em uma experiência visual completa, em que cenário, narrativa e roupa caminham juntos para construir desejo.

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