Daniel Roseberry desvenda o mistério da “Esfinge” na nova coleção da Schiaparelli

Coleção The Sphynx Outono/Inverno 2026 Schiaparelli mistura surrealismo, fantasia e técnica refinada, transformando a moda em experiência sensorial

06 mar, 2026
Daniel Roseberry | Reproduçao/Instagram/@danielroseberry
Daniel Roseberry | Reproduçao/Instagram/@danielroseberry

Schiaparelli voltou a brilhar em Paris com a coleção “The Sphynx” Outono/Inverno 2026, assinada por Daniel Roseberry, que mistura surrealismo, fantasia e técnica refinada, reafirmando o legado da maison fundada por Elsa Schiaparelli e transformando a moda em experiência sensorial.

O desfile apresentou peças que brincam com a percepção e a imaginação: casacos que parecem pele, mas são lã de seda estampada, rendas e tules sobrepostos criando efeitos tridimensionais, plumas e cristais aplicados à mão, além de acessórios escultóricos inspirados em animais.

Cada look combina sofisticação técnica com ousadia criativa, transformando roupas em pequenas obras de arte que desafiam expectativas e convidam o público a sentir antes de observar.

A Esfinge

No núcleo da coleção “The Sphynx”, o enigma surge como fio condutor da narrativa criativa. A partir do emblemático símbolo da fechadura presente na identidade da maison Schiaparelli, Roseberry transforma o detalhe em uma metáfora para o caráter complexo e enigmático da mulher atual.

Para traduzir essa proposta, o desfile de outono/inverno 2026 foi concebido com contrastes intensos e experimentações técnicas, criando efeitos que desafiam o olhar e confundem a linha entre aparência e realidade nas peças.


Coleção “The Sphynx”, assinada por Daniel Roseberry, para Schiaparelli (Vídeo: reprodução/Instagram/@schiaparelli)


Além da roupa

Além das roupas, a coleção também ampliou o universo criativo de Elsa Schiaparelli, conhecida por sua fascinação pelo mundo natural e por elementos metálicos de estética surrealista. Esse imaginário ganhou destaque especialmente nos acessórios. Um dos momentos marcantes foi a presença da icônica fita métrica aplicada à tradicional jaqueta Vendome, confeccionada em boiled wool stretch e detalhada com delicadas miçangas tubulares tingidas.

O desfile também revelou novos elementos visuais: joias com bordas que remetem a “pele”, criadas com pequenos ramos de shearling, sapatos de inspiração lúdica em formato de cães e gatos moldados em resina e feltro, além de bolsas de shearling sustentadas por pés de garça esculpidos em bronze, que chamaram atenção pelo design inusitado.

Elsa Schiaparelli

Nascida em Roma em 1890, Elsa Schiaparelli veio de uma família intelectual e aristocrática, e desde cedo demonstrou curiosidade pelo excêntrico e espírito rebelde. Criadora do surrealismo na moda, suas peças exploravam efeitos de ilusão de ótica, estampas inusitadas e acessórios irreverentes, como chapéus em formato de sapato e luvas com unhas pintadas.

Introduziu conceitos revolucionários, como o macacão funcional, o vestido wrap e o “hard chic”, que unia feminilidade poderosa a cortes precisos e ombros marcantes. Seu trabalho influenciou artistas e estilistas, consolidando seu nome como referência atemporal da alta-costura.


Apresentação da nova coleção da maison (Vídeo: reprodução/Instagram/@schiaparelli)


Daniel Roseberry

À frente da maison desde 2019, Roseberry buscou inspiração nas emoções e na imaginação, criando silhuetas inspiradas em criaturas fantásticas e cores intensas, como aves tropicais e detalhes em neon. Tecidos luxuosos, rendas, tules, plumas e cristais dão profundidade e movimento às peças, enquanto acessórios escultóricos remetem à fauna e à iconografia de Elsa, incluindo referências à lagosta e à vida marinha.

A coleção não só impressiona pela técnica, mas também convida o público a vivenciar a moda como experiência sensorial, reafirmando que haute couture é mais sobre sentir e imaginar do que apenas vestir.

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