CPHFW reafirma diversidade como protagonista da moda contemporânea
Com castings inclusivos, marcas como OpéraSPORT, Gestuz, Paolina Russo, Stine Goya e By Malene Birger exploram representatividade além do discurso na CPHFW
Enquanto parte das grandes semanas de moda ainda enfrenta críticas pela baixa representatividade nas passarelas, a Copenhagen Fashion Week (CPHFW) segue por um caminho diferente. Na temporada Primavera/Verão 2027, a semana de moda dinamarquesa reafirma que inclusão, sustentabilidade e criatividade são lemas a serem seguidos se as marcas quiserem estar na lineup.
A pluralidade apareceu tanto no casting quanto nas propostas das marcas. Modelos de diferentes idades, biotipos, etnias e expressões de gênero dividiram espaço nas passarelas, o que reflete uma visão ampla e alinhada às ideias de quem consome moda de forma mais crítica. A CPHFW continua sendo a semana com diretrizes rígidas de sustentabilidade e design, escolha de materiais e condições de trabalho.
A moda é para todos os corpos
Entre os destaques da temporada, a OpéraSPORT voltou a apresentar sua estética esportiva com referências românticas, equilibrando alfaiataria, tecidos leves e detalhes delicados. A coleção intitulada “Growth”, inspirada no jardim de Carl Jacobsen, fundador da Carlsberg, trouxe o tema da continuidade e renovação que a natureza sofre. Além disso, a marca, fundada em 2019, incorporou modelos plus size na passarela para mostrar como as peças se comportam em diferentes tipos de corpos. Uma mulher grávida cruzou a apresentação em um conjunto de blusa e saia em tom de azul-acinzentado, como uma singela súplica para ampliar o olhar da moda para as gestantes.
A Gestuz também chamou a atenção ao apostar em um casting mais diverso, incorporando modelos de diferentes silhuetas, em looks mais sóbrios, como a clássica alfaiataria, tanto quanto em produções mais chamativas, como o conjunto composto de blusa de manga longa e saia curta verde. A coleção de Primavera/Verão 2027 explora os contrastes entre a sensualidade, a alfaiataria e as peças casuais, destacando outra característica da semana: as roupas apresentadas são mais fáceis de serem replicadas nas ruas.
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Desfile da Gestuz na CPHFW (Foto: reprodução/Instagram/@gestuz)
Outro desfile bastante comentado foi o da Paolina Russo. Conhecida por misturar artesanato, tecnologia e referências esportivas, a marca apresentou uma coleção marcada por texturas, estampas e construções experimentais. O elenco do desfile com modelos plus size reforçou a proposta de que a moda é plural e trouxe essas modelos com produções jovens e divertidas, com conjuntos em tom de amarelo manteiga mesclados com tons de rosa e roxo combinados a um cinto verde e rosa-choque, e as micro-saias com camisetas curtas também entraram na jogada.
Na CPHFW não existe espaço para etarismo
Já Stine Goya manteve sua assinatura baseada em cores vibrantes, estampas expressivas e feminilidade contemporânea. Com modelos mais velhas, o desfile apresentou a individualidade como principal elemento estético e destacou que a moda é ampla; não importa a idade, você pode vestir um vestido de alfaiataria estruturada prata e depois uma camisa de estampa verde e calça social larga.
A Hersink apresentou as modelos maduras nos conjuntos sociais, produção que é identidade da marca, em tons acinzentados e marrons, e um look de terno branco com gola de pluma. A etiqueta provou que estar elegante é atemporal. No desfile da Marimekko, a marca trouxe suas estampas e silhuetas marcantes junto com modelos plus sizes e mais velhas, com modelagens versáteis. As peças da coleção de Primavera/Verão valorizaram cada corpo na passarela e afirmaram a proposta de funcionalidade com criatividade.
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Desfile da Marimekko na CPHFW (Vídeo: reprodução/Instagram/@cphfw)
A By Malene Birger, por sua vez, trouxe uma leitura refinada do minimalismo escandinavo. Silhuetas fluidas, tecidos sofisticados e uma cartela de cores sóbria deram o tom da coleção, e, completando tudo, três modelos mais velhas desfilaram em peças diferentes propostas: conjunto de top e saia na cor preta arrematados com um blazer branco, jaqueta estruturada de couro caramelo combinada com um jeans de corte reto com lavagem clara e jaqueta preta estruturada com uma saia de aplicações de discos bordados sobreposta em cima de calça preta.
Na edição em que celebra duas décadas de existência, a Copenhagen Fashion Week demonstra que o seu diferencial vai além do design escandinavo. Em um cenário em que inclusão e sustentabilidade ainda representam desafios para parte da indústria, o evento reforça que diversidade não deve ser tratada como exceção, mas como um princípio capaz de redefinir o futuro da moda.
